- A Polícia Federal prendeu novamente Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em nova fase da operação Compliance Zero autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
- A ação contempla prisão preventiva de Vorcaro, detenção de Fabiano Zettel, cunhado dele, e de outras duas pessoas, além de 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais.
- Foi determinado sequestro e bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões para interromper a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado.
- O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, é apontado como consultor informal de Vorcaro; ele pode usar tornozeleira eletrônica.
- As investigações apontam indícios de propina a Souza e de a Vorcaro montar um grupo para monitorar adversários e intimidar jornalistas, com pagamentos estimados em cerca de R$ 1 milhão por mês.
O ministro André Mendonça autorizou a nova fase da operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master, liquidado pelo BC. Nesta quarta-feira (04), a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, dono do banco, em mais uma etapa da apuração.
A decisão de Mendonça, de 48 páginas, também determinou a prisão preventiva do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, e de outras duas pessoas. Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em SP e MG. Souza, ex-diretor do BC, é suspeito de atuar como consultor informal do grupo.
Vorcaro é apontado como líder da organização criminosa ligada ao Master. Zettel seria o operador. A instituição foi liquidada extrajudicialmente pelo BC em novembro do ano passado. Ambos já haviam sido alvo de medidas restritivas anteriormente.
A PF informou que houve sequestro e bloqueio de bens de até 22 bilhões de reais, para interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo e preservar valores vinculados às práticas ilícitas apuradas. O objetivo é evitar a dilapidação de ativos.
A decisão aponta indícios de que o ex-diretor do Bacen revisava minutas de documentos do Master para o órgão regulador, atividade incompatível com a fiscalização. Também há pistas de que ele recebeu vantagens indevidas para defender a instituição.
Entre os indícios, Mendonça cita troca de mensagens sobre uma viagem de Souza a parques de diversão em Orlando, com Vorcaro comentando sobre a necessidade de facilitar a viagem. A investigação aponta relações entre Vorcaro e Souza por meio de mensagens privadas.
Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC, também é alvo de apuração sob suspeitas semelhantes. Ambos já foram afastados pelo BC e responderam com o uso de tornozeleiras eletrônicas.
A PF diz que houve cooperação do Banco Central nas investigações, incluindo informações sobre os afastamentos de servidores e relatos de apuração interna que ajudaram a PF a avançar. O BC confirmou a cooperação, mas não comentou o caso.
A nova fase investiga ainda a contratação de um grupo que discutia agressões a jornalistas críticos ao Master. Segundo a decisão, o grupo recebia cerca de 1 milhão de reais por mês para intimidar críticos, e houve menção a um jornalista da imprensa.
A apuração também aponta que um operador teve acesso a sistemas públicos usando credenciais de terceiros, chegando a plataformas internacionais, como FBI e Interpol. A PF ressalta que tais ações violam sigilos e limites legais.
Esta é a primeira operação da PF sobre o Master sob a relatoria de Mendonça, que substituiu Toffoli no comando do caso após pressões ligadas a ligações entre o ministro e o banqueiro. As investigações seguem para esclarecer diferentes etapas do esquema.
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