- A segunda prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ocorreu nesta semana e ele foi encaminhado a uma penitenciária federal em Brasília, após passagem por Guarulhos e Potim, no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero.
- O Financial Times afirma que a detenção representa uma escalada na investigação de fraude e lavagem de dinheiro no Master, cuja falência em 2025 gerou prejuízos estimados em mais de R$ 40 bilhões.
- Bloomberg aponta a existência de uma “milícia pessoal” vinculada a Vorcaro para monitorar adversários; mensagem com a ideia de “quebrar todos os dentes” dirigida a um jornalista seria destinada a um operador identificado como “Sicário” Mourão, que teria tentado suicídio após a prisão.
- A reportagem destaca que Vorcaro mencionou autoridades de Brasília em conversas, incluindo o senador Ciro Nogueira, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o ministro Alexandre de Moraes, além de encontros relatados com esses nomes.
- A Reuters observa que o caso envolve o Banco Central, com Vorcaro supostamente tendo pago ex-diretores da instituição para assessoria regulatória; o BC não comenta o assunto, e as defesas se manifestam.
A imprensa internacional destacou a segunda prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e os desdobramentos que envolvem a sua rede de contatos com políticos, juízes e jornalistas. As informações aparecem após a terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura fraude na instituição financeira.
O Financial Times descreveu a detenção como uma escalada numa investigação de fraude e lavagem de dinheiro no Master, cuja falência, no ano passado, gerou prejuízos superiores a 40 bilhões de reais. Vorcaro foi preso novamente em Guarulhos, transferido para Potim e, posteriormente, terá vaga em penitenciária federal.
Na sequência, a Bloomberg destacou a suposta existência de uma milícia pessoal para monitorar adversários, como ex-funcionários e jornalistas, mencionando ainda um episódio envolvendo um jornalista do O Globo. Documentos da PF relatam mensagens que teriam sido enviadas para coagir o jornalista Lauro Jardim.
Conexões e influência
As mensagens indicam contatos de Vorcaro com autoridades do poder Legislativo e Judiciário, incluindo o presidente da Câmara e magistrados do STF. Entre as pessoas citadas, constam potenciais encontros com Hugo Motta e com Alexandre de Moraes, segundo as mensagens apreendidas.
A reportagem ressalta ainda a menção a figuras de Brasília, bem como o fato de a PF ter apontado um operador identificado como responsável pela parte operacional do grupo, apelidado de Sicário. Um dos investigados sofreu tentativa de suicídio após a prisão.
Desdobramentos no oversight financeiro
Investigadores apontam que Vorcaro teria influenciado o Banco Central, com suposta participação de ex-diretores da instituição em assessoria regulatória. A decisão de Mendonça autorizou a prisão de Mourão, Vorcaro e Fabiano Zettel, ampliando o alcance da investigação.
A cobertura da Reuters cita que a liquidação do Master, ocorrida em novembro de 2025, provocou dúvidas sobre intervenções de autoridades reguladoras. A agência afirmou que as revelações abalaram a confiança em instituições potentes do país.
Reações oficiais
O Banco Central declarou que não comentaria impactos sobre a reputação ou sobre decisões regulatórias envolvendo os funcionários mencionados. A autoridade destacou a importância da investigação da PF para esclarecer os fatos e impor sanções cabíveis.
A defesa de Vorcaro contestou as acusações, enquanto a defesa de Zettel afirmou que já se coloca à disposição das autoridades. Contatos com representantes de Vorcaro ou do BC não foram confirmados pela reportagem.
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