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Nunes diz que operação policial é perseguição política se motivada pelo filme

Polícia investiga possível desvio em contrato entre a prefeitura e ONG ligada ao Instituto Conhecer Brasil, com aditivos elevando o valor e pagamentos sem prestação de serviço

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), em evento na cidade
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  • A Polícia Civil deflagrou operação investigando suposto desvio de recursos da prefeitura de São Paulo para financiar o filme “Dark Horse”, ligado à produtora da ONG presidida por Karina Ferreira da Gama.
  • O foco é o contrato entre a prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), originalmente de R$ 108 milhões, com aditivos que teriam elevado o valor para R$ 157,1 milhões.
  • Segundo as investigações, pelo menos R$ 26 milhões foram pagos sem efetiva prestação do serviço, o que caracteriza possível desvio de finalidade de recursos públicos.
  • A ação envolveu oito mandados de busca e apreensão e mira a ONG, endereços ligados a Karina Ferreira da Gama e a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT).
  • O prefeito Ricardo Nunes afirmou que não houve irregularidades no contrato e que não há relação entre a operação e o filme, além de reforçar que a prefeitura repudia acusações sem provas e coopera com as autoridades.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou não haver irregularidades no contrato da prefeitura com a ONG presidida pela dona da produtora do filme sobre Jair Bolsonaro. Caso a operação policial esteja ligada ao filme, ele aponta possível perseguição política.

Nunes disse que o contrato de 2024 não guarda relação com a produção recente. Afirmou que a gravação do longa ocorreu depois, e que a comunicação sobre a filmagem ao SPcine ocorreu em outubro de 2025, mais de um ano após o acordo.

A Polícia Civil investiga se recursos públicos foram desviados para custear o filme “Dark Horse”. A operação Wi-Fi, deflagrada hoje, mira o contrato de R$ 108 milhões com o ICB, cuja ONG é presidida por Karina Ferreira da Gama, dona da Go UP Entertainment. O acordo previa pontos públicos de Wi-Fi em áreas periféricas.

Suspeita é de que R$ 26 milhões pagos pela prefeitura à ONG tenham ido para o filme, sem efetiva prestação de serviço. A apuração aponta possível desvio de finalidade na aplicação de recursos públicos municipais.

Segundo o prefeito, agentes da Polícia Civil que cumpriram mandados na prefeitura teriam levado apenas um pen drive com informações já disponibilizadas no SEI. Ele afirmou que os dados são públicos e estão acessíveis.

Nunes minimizou a inexperiência da empresa na prestação de serviço de Wi-Fi livre e disse que a contratação seguiu trâmites legais. O prefeito ressaltou que não houve outras empresas interessadas em realizar o serviço.

Ele comentou conhecer Karina, mas afirmou não manter contato frequente. Em evento, houve algum relacionamento profissional, mas não há relação direta com a gestão municipal, segundo o prefeito.

Irregularidades em contrato

O instituto, a Go UP, endereços ligados a Karina e a SMIT estão entre os alvos. A ação cumpriu oito mandados de busca e apreensão autorizados pela 1ª Vara Regional das Garantias.

Aditivos elevaram o valor do contrato para R$ 157,1 milhões. Deste total, pelo menos R$ 26 milhões teriam sido pagos sem a devida prestação de serviço.

O contrato 01/SMIT/2024, entre o ICB e a SMIT, visa instalar 5.000 pontos de Wi-Fi em áreas periféricas. O prefeito afirma que o número seria de 3.200 pontos, dentro do programa Wi-Fi Livre.

A Prefeitura de SP repudiou as ilações de desvios, afirmou que o contrato seguiu legalidade, transparência e economicidade, e informou que colabora com as investigações. A prefeitura disse já ter prestado informações.

O UOL buscou Karina Ferreira da Gama para uma manifestação. O texto será atualizado caso haja retorno.

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