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PF apreende R$ 43 milhões em dez anos de combate à corrupção eleitoral

PF registra recorde de R$ 43 milhões apreendidos em dez anos no combate à corrupção eleitoral; região Norte concentra maior parte do dinheiro

Infográfico - Apreensões em dinheiro vivo em operações contra crimes eleitorais. — Foto: Arte/GloboNews
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  • Nos últimos dez anos, a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 43 milhões em espécie em operações de combate a crimes eleitorais no Brasil.
  • Em 2024 houve recorde histórico, com R$ 28,6 milhões apreendidos, alta em relação a 2022 (R$ 5 milhões) e 2020 (R$ 2 milhões).
  • A PF analisou 1.032 ocorrências desde 2016; a Região Norte lidera, com R$ 18 milhões, seguida pelo Nordeste (R$ 12,8 milhões) e pelo Sudeste (R$ 10 milhões).
  • Em São Lourenço do Piauí, Biraci Damasceno, conhecido como Bira, foi alvo de denúncias de boca de urna; áudios mostram gastos de cerca de R$ 1 milhão na campanha, somando R$ 4 milhões pelo grupo, e a chapa foi cassada pelo TSE em 2023; ele permanece em cargo público.
  • Especialistas destacam que o recurso movimentado em campanhas alimenta fraudes em licitações e desvios de obras, com efeitos sociais como atraso na infraestrutura e salários.

Oito parágrafos curtos aparecem antes de qualquer subtítulo. A Polícia Federal divulgou que, nos últimos dez anos, apreendeu mais de R$ 43 milhões em dinheiro vivo em ações de combate à corrupção eleitoral no Brasil. Em 2024, houve recorde histórico de R$ 28,6 milhões apreendidos, conforme apuração da PF e da imprensa.

O conjunto de dados analisados pela PF envolve 1.032 ocorrências desde 2016. Regiões Norte, Nordeste e Sudeste concentram quase metade do dinheiro apreendido no período, com o Norte liderando em volume e valor.

Em São Lourenço do Piauí, a 500 quilômetros de Teresina, o então prefeito eleito Biraci Damasceno, o Bira, usou uma rádio local para agradecer publicamente pelo que chamou de “trabalho de boca de urna” no dia da eleição. Áudios de seu vice também mencionaram gastos elevados na campanha.

Enquanto a operação se aprofundava, a PF apontou movimentação de cerca de R$ 1 milhão em caixa ligado ao candidato e R$ 4 milhões somando o grupo político, conforme relatos compilados pela investigação. Em 2023, o TSE cassou a chapa de Bira, reconhecendo as provas de irregularidades.

A investigação também indica que o dinheiro obtido ilegalmente financia gastos em licitações, obras públicas e atividades de grupo armado da política. Especialistas destacam que o efeito é dual: o montante investido costuma exigir recuperação futura pelos candidatos.

A PF e promotores destacam que esse tipo de crime tem impacto direto na vida local, incluindo infraestrutura precária, com baixa cobertura de saneamento básico e salários atrasados em alguns municípios. O padrão envolve a corrupção pré-eleitoral e consequências pós-eleitorais.

O custo social da corrupção

Especialistas argumentam que o fluxo ilegal de recursos alimenta um mercado ilícito que influencia planos de governo. A prática é vista como prejudicial à transparência e à confiança pública, com reflexos na prestação de serviços à população.

A promotora Gabriela Almeida ressalta que o comportamento dos candidatos durante a campanha é indicativo da gestão futura, especialmente na definição de prioridades. O voto passa a ser fator determinante para decisões administrativas e sociais.

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