- O parque nacional marinho Cabo Pulmo, criado pelos moradores, abriga mais de 200 espécies de peixe e o maior recife de coral do Golfo de California, e foi reconhecido pela UNESCO em 2005 e pela Ramsar em 2007.
- A comunidade passou a gerir o parque, mas o aumento de turismo e de empresas na área tem dificultado a governança e exigido planos para conter o crescimento.
- Em 2015, moradores conseguiram impedir o projeto turístico Cabo Cortés, avaliado em 2 bilhões de dólares, que colocaria hotéis, campos de golfe e marina na região.
- Hoje, dezenas de pequenos e médios negócios entram na área, aumentando o fluxo de visitantes, com longos tempos de espera para passeios de barco. Empresas locais pedem mais fiscalização da Conanp (Comissão Nacional de Áreas Naturais Protegidas).
- Desafios futuros incluem infraestrutura (banheiros, hospedagem, saúde), captação de água — estimada em 46% a mais até 2040 — e monitoramento de impactos ambientais causados pelo turismo, segundo cientistas e moradores.
O Cabo Pulmo National Marine Park, no México, surgiu como um esforço comunitário para proteger o ecossistema marinho local. Em 2016, a oceanógrafa Sylvia Earle destacou o parque como um ponto de esperança para o planeta. Na prática, a comunidade ajudou a criar e gerenciar a área protegida.
Ao longo de mais de uma década, moradores passaram a conduzir a gestão do parque, que abriga mais de 200 espécies de peixe e o maior recife do Golfo de California. O território funciona também como polo de conservação reconhecido pela UNESCO desde 2005 e listado como área de importância global pela Ramsar em 2007.
Desafios com o aumento do turismo
A chegada de visitantes, impulsionada por figuras internacionais e pelo crescimento turístico na região da Baja California, elevou a pressão sobre a infraestrutura local. O parque, com 7.111 hectares, enfrenta dificuldades para regular o fluxo de turistas e atividades associadas.
Segundo moradores, a proliferação de pequenos e médios negócios tem congestionado a área, elevando o tempo de espera para passeios de barco e elevando custos de operação para as empresas locais. Também surgem preocupações sobre o manejo de barcos, ruídos e contato com a vida marinha.
Questões de governança e recursos
Há queixas sobre a emissão de licenças pela Conanp, órgão federal responsável, com pedidos para frear a concessão de novas permissões e aumentar a fiscalização no parque. A Conanp não respondeu a pedidos de comentário.
Especialistas locais e acadêmicos acompanham impactos sobre o ecossistema, incluindo possíveis danos ao recife por atividades turísticas excessivas. Estão em andamento planos para limitar o turismo, melhorar a infraestrutura pública e proteger a biodiversidade.
Infraestrutura e futuro
A região demanda investimentos em água potável, sanitários, hospedagem e centros de saúde para atender moradores e visitantes. Um estudo recente aponta necessidade de cerca de 46% de água adicional em 2040 em relação aos níveis atuais.
Durante a pandemia, testes no interior do parque mostraram aumento de peixes, sugerindo que a biodiversidade ainda pode se recuperar com gestão efetiva. Resta acompanhar as medidas que buscam equilibrar turismo e conservação.
Perspectivas locais
Moradores defendem que qualquer mudança deve considerar a viabilidade econômica da comunidade. Planos de uso público visam limitar o número de visitantes e dificultar a entrada de novos negócios, assegurando a proteção da área.
O debate envolve manter empregos locais, preservar o ecossistema e manter a governança compartilhada entre comunidade, ciência e governo. A continuidade do parque depende de ações coordenadas e de apoio institucional.
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