- O Equador aprovou um referendo para interromper toda extração de petróleo no bloco ITT, localizado no Parque Nacional Yasuni.
- O resultado ficou: 5,2 milhões de votos a favor de manter o petróleo no subsolo, 3,6 milhões contra.
- No ITT, há 12 plataformas e 230 poços, produzindo cerca de 57 mil barris de petróleo por dia.
- O parque é extremamente biodiverso, abrigando milhares de espécies de plantas e animais, além de comunidades indígenas em isolamento voluntário.
- As autoridades têm de se retirar do ITT em até um ano e não podem assinar novos contratos; há possibilidade de ação judicial caso o prazo não seja cumprido.
O Equador aprovou em plebiscito a suspensão de toda a extração de petróleo em Yasuní, na Amazônia. A consulta ocorreu ontem, envolvendo milhões de eleitores que votaram para manter o crude no subsolo no parque nacional. O resultado consolidou proteções para comunidades indígenas em isolamento voluntário.
Ao todo, mais de 5,2 milhões disseram sim à medida, frente a about 3,6 milhões que votaram contra, segundo dados oficiais. A decisão afeta o bloco de exploração Ishpingo-Tambococha-Tiputini (ITT), alvo de controvérsia desde 2016. A área abriga plataformas e poços que produzem cerca de 57 mil barris por dia.
O ITT fica dentro do parque Yasuní, que tem quase 982 mil hectares. A decisão busca evitar impactos de extração sobre povos em isolamento, além de reduzir riscos de derramamentos em uma região de alta biodiversidade, com mais de 1.100 espécies de árvores registradas.
Operadores indicam que o parque abriga 12 plataformas e 230 poços ativos. A produção na área representa uma parcela relevante das exportações do país, com impactos diretos sobre a receita pública e investimentos futuros no setor.
Contexto e desdobramentos
O histórico envolve uma batalha de décadas entre interesses ambientais e econômicos. Iniciativas anteriores tentaram proteger a região sem eliminar por completo a atividade, mas o plebiscito de hoje opta pela saída definitiva do ITT.
Embora a decisão tenha apoio entre organizações de conservação, algumas comunidades indígenas próximas defenderam a exploração como fonte de desenvolvimento e renda estável para famílias locais.
Agora, as autoridades têm um prazo de um ano para encerrar contratos de exploração no ITT e não podem assinar novas licenças. A omissão pode levar a ações judiciais e à responsabilização de autoridades envolvidas.
Fontes oficiais apontam que o país pode enfrentar impactos econômicos, com perdas estimadas em bilhões de dólares caso a extração seja suspensa de forma permanente. O governo também planeja redirecionar recursos para áreas sociais.
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