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Seca atinge México; ativista Yaqui luta por rio sagrado

Com a seca, o Yaqui River seca e agrava a disputa pela água; Luna Romero enfrenta prisão e pressão estatal while defende FPIC para o território Yaqui

Mario Luna Romero points at one of the four sacred mountains that mark the boundaries of the ancestral Yaqui territory. Image by Abimael Ochoa Hernández for Mongabay.
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  • Em 11 de setembro de 2014, Mario Luna Romero foi preso pela polícia judicial estadual em Obregón, Sonora, sob acusações de sequestro e roubo, mantido em cela isolada por quase dois anos.
  • Luna liderou a oposição ao Acueduto Independência, que reduziria drasticamente o caudal do rio Yaqui e foi aprovado sem o consentimento da comunidade (FPIC), gerando protestos, ações judiciais e impasses técnicos.
  • O Supremo Tribunal Federal determinou que o acueduto violava direitos da tribo Yaqui, mas a suspensão do projeto ficou condicionada a evidências de dano irreparável; estudos antropológicos sugeriram impactos culturais graves.
  • Hoje o trecho do rio Yaqui no território Yaqui secou, com água contida sendo contaminada por agroquímicos, resíduos de mineração e má gestão de resíduos, agravando a luta pela água e pela cultura da comunidade.
  • Luna, hoje porta-voz oficial dos direitos hídricos Yaqui, denuncia vigilância governamental, desaparecimentos e violência na região, enquanto promove a educação tradicional e mantém o rádio Namakasia como meio de comunicação da comunidade.

Mario Luna Romero, líder Yaqui, esteve preso em Obregón, Sonora, de 11 de setembro de 2014 por 1 ano e 11 dias. A acusação envolvia sequestro e furto de carro, sem provas claras. A detenção ocorreu após oposição ao Acueduto Independência, que reduziria o caudal do rio Yaqui em território indígena.

Poucos meses antes, Luna liderou um amplo movimento contra o aqueduto, aprovado pelo governo mexicano para atender Hermosillo, sem consulta prévia aos Yaquis. A defesa da FPIC e da consulta legal ganhou apoio em ações judiciais e protestos.

A construção do aqueduto, de 172 quilômetros, foi questionada por afetar a água do Yaqui Territory. A Suprema Corte reconheceu a violação de direitos da tribo, mas a obra não foi suspensa de imediato, exigindo evidências de dano irreparável.

Ao ser liberado, Luna descreveu o cárcere como teste de resistência ideológica e física. Enquanto isso, o aqueduto seguia em operação, agravando a escassez de água na região durante uma seca severa e elevação de temperaturas.

Relatos da Amnesty International, na época, destacaram campanhas de difamação contra os Yaquis e pressões administrativas. A tensão incluiu assédio de funcionários públicos e confrontos na região, com impactos na vida comunitária.

A situação atual mostra um Yaqui River com trechos secando e água contaminada por agroquímicos, resíduos mineiros e más práticas de manejo. Agricultores e grandes usuários disputam água em meio à seca prolongada.

A água remanescente do Yaqui está cada vez mais poluída e o rio, antes vital para cerimônias, pesca e uso cultural, tem perdido relevância espiritual para a comunidade. A seca histórica acentua o risco de erosão cultural.

No cenário atual, Luna atua como porta-voz da defesa de direitos hídricos dos Yaquis, promovendo cultura e identidade entre jovens. Também dirige a Namakasia Radio, veículo para divulgar notícias em língua yaqui.

Desafios continuam: desaparecimentos, violência e pressão de grupos criminosos na região. Em meio a isso, o território busca caminhos para assegurar água potável, proteção ambiental e respeito aos direitos indígenas.

Para os Yaqui, a água é essencial não apenas para sobrevivência, mas também para a preservação de tradições, rituais e vida comunitária. A luta pela água segue como âmbito central de resistência e resistência cultural.

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