- Mongabay e Earth Genome identificaram 67 pistas de pouso clandestinas ligadas ao narcotráfico em Ucayali, Huánuco e Pasco, sendo 31 concentradas em Atalaya.
- A análise usa IA e imagens de satélite, cruzadas com fontes oficiais, para confirmar uso das pistas no tráfico de drogas; no total, há 76 pistas em seis regiões amazônicas.
- A maioria fica dentro ou ao redor de comunidades indígenas, reservas de povos em isolamento e concessões florestais, contribuindo para violência e desmatamento.
- As três regiões concentram quase 19 mil hectares de coca, com Ucayali registrando grande crescimento desde 2020; há relatos de assassinatos de líderes indígenas desde a pandemia.
- Especialistas destacam que o sistema criminoso é fragmentado e de rápida recomposição; é necessário combinar repressão com ações sociais e combate a estruturas de crime organizado e lavagem de dinheiro.
O estudo conjunto de Mongabay e Earth Genome identificou 67 pistas de pouso clandestinas usadas para o tráfico de drogas em três regiões da Amazônia peruana: Ucayali, Huánuco e Pasco. A verificação associou cada pista a atividades narco por meio de IA, imagens de satélite, fontes oficiais e observação de campo.
A maior concentração, com 31 pistas, fica em Atalaya, região que se tornou uma das mais violentas da Amazônia. A maioria das pistas está localizada em comunidades indígenas, em reservas de povos isolados e em áreas de concessões florestais, agravando conflitos locais.
Entre os relatos, indígenas descrevem operações de pouso de aeronaves nas proximidades de suas terras, com solicitações de presença de autoridades para acompanhar as operações. A investigação de 12 meses envolveu mais de 60 fontes jornalísticas, confirmando 76 pistas não autorizadas em seis regiões amazônicas.
Impacto nas comunidades e na floresta
A análise aponta que as pistas facilitam o desmatamento e a circulação de coca para além do controle estatal. Em Ucayali, Huánuco e Pasco, o total de coca monitorado somou quase 19 mil hectares, com aumento expressivo desde 2020. A região concentra áreas de risco para povos em isolamento.
Especialistas destacam que o problema envolve redes criminosas, lavado de dinheiro e várias modalidades de crime, não apenas tráfico de drogas. A presença de pistas em áreas de concessões aponta para possíveis ligações entre atividades ilegais e exploração florestal.
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