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O que está em jogo para o meio ambiente nas próximas eleições de Suriname

Eleições no Suriname podem definir continuidade da proteção da floresta e direitos territoriais diante de garimpo, mineração e agronegócio

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  • Suriname realiza neste fim de semana eleições para a Assembleia Nacional, que elege o presidente a partir do escrutínio dos deputados.
  • O resultado pode decidir se a floresta amazônica do país permanece largely intacta ou sofre com desmatamento, mineração, agronegócio e outros fatores considerados vitais para o crescimento econômico.
  • O tema envolve direitos territoriais de povos indígenas e afrodescendentes, com a demarcação de terras atrasada e conflitos sobre concessões de exploração em terras ancestrais.
  • Candidatos de destaque incluem o presidente incumbent Chandrikapersad Santokhi (com queda de popularidade), a ex-presidente da assembleia Jennifer Geerlings-Simons, e Ronnie Brunswijk, vice-presidente que defende direitos territoriais, com histórico de controvérsias.
  • A região é formada por cerca de noventa e três por cento de floresta tropical; planos de mineração, desmatamento para agronegócio e projetos de extração geram dúvidas sobre a proteção ambiental após as eleições.

O Suriname vai realizar neste fim de semana eleições para o parlamento, com a escolha do presidente a depender da maioria na Assembleia Nacional. Serão 51 vagas, definindo o próximo governo e a condução de políticas públicas. O pleito também pode influenciar rumos de preservação ambiental, direitos indígenas e de comunidades afrodescendentes.

A pauta ambiental ganha peso: o país, uma das nações mais florestadas do mundo, abriga cerca de 93% de área de floresta amazônica. A disputa ocorre em meio a pedidos de mais desenvolvimento econômico e a resistência de defensoras de conservação frente a projetos previstos, como mineração e agronegócio.

Entre os novos planos, está o histórico de Santokhi, atual presidente, cuja popularidade vem recuando. Seu governo já avaliou projetos de expansão econômica que poderiam aumentar desmatamento, gerando preocupação entre ambientalistas e comunidades tradicionais.

Alguns candidatos assumem posições mais firmes em defesa de terras ancestrais. O vice-presidente Ronnie Brunswijk, afrodescendente, é visto como defensor de direitos territoriais das comunidades Maroon, em oposição a concessões sem consulta prévia. Ainda assim, ele é alvo de críticas e de controvérsias legais envolvendo outros interesses.

A oponente Jennifer Geerlings-Simons, do Partido Democrata Nacional, tem histórico de atuação ambiental rigorosa. Ela já apoiou a proteção de áreas como a Reserva Central Suriname e apresentou propostas para exigir consentimento livre, prévio e informado de comunidades locais em projetos de desenvolvimento.

Não se pode esquecer o atraso histórico: Suriname ainda não possui lei que formalize os direitos territoriais de povos indígenas e afrodescendentes. A decisão judicial internacional de 2007 determinou demarcação para a comunidade Saamaka, mas o tema permanece sem conclusão, mantendo espaço para negociações sobre concessões.

Este cenário leva a preocupação com planos de mineração de bauxito, incluindo projetos próximos a comunidades, sob avaliação de impactos sobre territórios e direitos. A discussão sobre concessões e consulta prévia permanece central no debate eleitoral.

Observadores ressaltam que, ainda que haja avanços legislativos, é improvável que qualquer candidato consiga cumprir plenamente metas de proteção ambiental ou de consolidação de leis de terras durante o próximo mandato, dadas as demandas por crescimento econômico.

A apuração aponta que temas como desmatamento, direitos territoriais e governança ambiental devem permanecer centrais no pleito, com impactos duradouros sobre a preservação das florestas, o bem-estar das comunidades locais e a capacidade do país de manter seu papel como sumidouro de carbono na região.

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