- O peixe anjo, espécie de tubarão ameaçada, era usado em refeições de escolas, hospitais, abrigos e outras instituições públicas no Rio Grande do Sul.
- Ao todo, foram identificadas cinquenta e duas licitações desde 2015, totalizando mais de 211 toneladas e cerca de R$ 5,7 milhões.
- A aquisição ocorre mesmo com a proibição de captura no Brasil; há uma exceção para animais importados, o que complica rastrear a origem.
- Governos municipais e o governo do estado disseram que não vão mais comprar peixe anjo; Porto Alegre afirma não adquirir desde 2021.
- Especialistas apontam riscos à saúde, com possível contaminação por metais, além de dificuldades de fiscalização e de comprovação de origem legal.
Rio Grande do Sul consumiu peixe anjo, nome comum das angelsharks, em escolas e outras instituições públicas por anos. Levantamento mostra 52 licitações desde 2015, totalizando mais de 211 toneladas de peixe anjo. O valor envolve cerca de 5,7 milhões de reais.
Angelsharks são espécies ameaçadas e não podem ser capturadas no Brasil. A traçaSupply legal depende de importação, sob exceção prevista em norma do Ministério do Meio Ambiente. Instituto Ambiental (IBAMA) aponta risco de uso indevido dessa brecha.
Ao ser questionado, o governo estadual e prefeituras disseram que não continuarão comprando peixe anjo. Em Porto Alegre, Gravataí e outras cidades, prometeram retirar o peixe anjo de futuras licitações, substituindo por espécies não ameaçadas.
O que se sabe sobre a origem é limitado. A investigação não confirmou se os animais eram importados ou capturados na costa brasileira. Técnicos dizem que a rastreabilidade é fraca e que parte das compras pode já refletir mercados locais de peixe conhecido como cação.
Profissionais ouvidos destacam riscos à saúde de crianças por metais pesados. Pesquisadores lembram que shark meat pode acumular mercúrio e que os controles de origem legal dependem de documentação confiável, hoje pouco eficiente em alguns casos de fiscalização.
Ao todo, 52 licitações envolveram quase 30 fornecedores, concentrados principalmente em Porto Alegre e região. As propostas costumavam citar marcas diversas, com Frumar entre as mais citadas. Há dúvidas sobre a origem real do peixe adquirido.
Órgãos públicos e pesquisadores defendem maior transparência. A recomendação é evitar comprar espécies protegidas quando houver dúvidas sobre a procedência. Um movimento recente mira substituir o peixe anjo por opções não ameaçadas nas compras oficiais.
Paralelamente, órgãos de fiscalização apontam que o mercado de peixe no Brasil sofre com rotas de comércio que não garantem origem legal. A equipe pública aponta para a necessidade de reforçar etiquetas, rastreabilidade e auditorias independentes em toda a cadeia.
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