- O relatório da Plataforma Intergovernamental Científico-Política sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) alerta que as empresas podem enfrentar extinção se não protegem e restauram a natureza; a ação é vista como essencial para o futuro dos negócios.
- O estudo, baseado em contribuições de cientistas e aprovado por 150 governos, mostra que todos os setores dependem dos serviços que a natureza oferece gratuitamente, como água limpa e solos férteis.
- O coautor Matt Jones afirma que as empresas podem liderar a mudança ou correr o risco de extinção das espécies, e possivelmente de si mesmas, se não atuarem.
- O relatório cita Steart Marshes, em Somerset, como exemplo de cooperação entre fazendeiros e conservação, com manejo de terras que favorece fauna, flora e produção agrícola, além de benefícios à comunidade local.
- Aponta incentivos diários que empurram a queda da biodiversidade: subsídios danosos, falta de ações consistentes e métricas claras; menos de 1% das empresas que publicam relatórios mencionam impactos na biodiversidade.
Ainda não há como negar: empresas correm risco de extinção se não protegerem e restaurarem a natureza. Cientistas de todo o mundo alertam que a dependência dos serviços ecossistêmicos é maior do que parece, mesmo para negócios distantes do meio ambiente.
Um relatório do IPBES — com contribuições de pesquisadores de várias nações e aprovação de 150 governos — descreve caminhos para que empresas deixem práticas prejudiciais e passem a ações de restauração natural. A avaliação ressalta que a natureza sustenta atividades empresariais, desde água limpa até solos férteis.
Segundo Matt Jones, coautor e do UN-World Conservation Monitoring Centre, as empresas podem liderar a transição ou enfrentar consequências: extinção de espécies e, potencialmente, de si próprias. A mensagem enfatiza a interdependência entre negócios e serviços ecossistêmicos.
O relatório aponta que qualquer empresa depende, de forma direta ou indireta, dos serviços gratuitos da natureza. Entre eles, água, polinização, regulação do clima e proteção de solos, fatores que influenciam ganho, custo e continuidade das atividades.
Co-presidente Stephen Polasky afirma que a perda de biodiversidade é uma das maiores ameaças para negócios, embora pareça mais lucrativo degradar do que proteger a natureza. A análise questiona esse raciocínio econômico de curto prazo.
Leigh Morris, diretor internacional da Wildlife Trusts, cobra métricas claras e ferramentas para que empresas organizem suas ações. Segundo ele, a proteção da biodiversidade não é mais opcional, mas necessária para muitas companhias.
No Reino Unido, a atuação integrada entre empresas, agricultores e conservação é exemplificada em Steart Marshes, em Somerset. A área combina manejo de terra com proteção de espécies e produção agropecuária.
Na prática, pecuários pastam na reserva para criar habitats adequados a aves, insetos e plantas, servindo de modelo de convivência entre produção e conservação. Um agricultor local destaca a diversidade de gramíneas.
Andy Darch aponta que a alimentação de várias espécies no pasto favorece a qualidade da carne no fim do dia e contribui para a conservação. O esforço mostra como ações conjuntas podem ser rentáveis a longo prazo.
Steart Marshes também evidencia benefícios à comunidade: novas barreiras de proteção contra enchentes protegem vilarejos e marismas absorvem carbono e reduzem poluição. A gestão integrada aparece como ganho para ambiente e economia local.
Alys Laver, da Wildfowl and Wetlands Trust, ressalta que conservação e manejo agrícola caminham juntos. As obras de proteção contra inundações funcionam como inovação de engenharia, mantendo produção sem prejuízos.
Entre os entraves apontados pelo estudo, o relatório cita subsídios prejudiciais à biodiversidade, pressionados por lobbies empresariais, além de confusão sobre métricas de impacto. A falta de ações significativas preocupa gestores e investidores.
O IPBES destaca que menos de 1% das empresas que divulgam resultados inclui impactos na biodiversidade em relatórios. A conclusão reforça a urgência de inserir a proteção ambiental nas decisões de governo corporativo.
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