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Linhas de energia ameaçam flamingos migratórios icônicos do Sri Lanka

Mortes de flamingos por colisões com cabos de energia em Mannar elevam o alerta sobre impactos da infraestrutura elétrica em ecossistemas úmidos e no turismo local

Flamingos killed by power line collision in Mannar, Sri Lanka.
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  • Em Mannar, no norte do Sri Lanka, três flamingos maiores morreram após colisão com cabos de energia, não por eletrocussão.
  • Necropsias revelaram que os pescoços dos pássaros foram cortados em pleno voo pelas linhas elétricas.
  • Conservacionistas alertam que infraestrutura de energia, incluindo projetos eólicos, avança sobre habitats sensíveis como o Santuário Vankalai.
  • Os flamingos são particularmente vulneráveis a colisões por causa do pescoço longo, envergadura estendida e voo em grandes bandos durante o crepúsculo.
  • Casos internacionais, na África e na Índia, são citados para ilustrar o risco de infraestruturas energéticas; em Mannar, a presença dos flamingos sustenta ecoturismo e a ocupação hoteleira local.

Os relatos indicam que três flamingos rochosos (Phoenicopterus roseus) morreram em Mannar, no norte do Sri Lanka, após colisões com cabos de energia. As aves estavam em voos de cruzeiro sobre as lagoas da região, um destino conhecido por atrair migrantes e impulsionar o turismo local. Inicialmente, suspeitou-se de eletrocussão, mas a necropsia confirmou ferimentos causados pelos cabos durante o voo.

O laudo do Departamento de Conservação da Fauna (DWC) aponta que os pescoços longos das aves foram feridos ao atravessar as linhas, sugerindo um padrão de colisões que envolve vultosas aves aladas em deslocamento. Especialistas destacam que as flamingos tendem a voar em grandes bandos ao amanhecer e ao entardecer, quando a visibilidade pode ser limitada.

Além do episódio, conservacionistas alertam para a expansão da infraestrutura de energia, incluindo projetos eólicos, que pode avançar sobre habitats sensíveis como o Santuário Vankalai, em Mannar. O risco se soma a impactos já observados em outras regiões, reforçando a necessidade de avaliação de impactos ambientais.

Contexto e risco de habitat

Sampath S. Seneviratne, ornitólogo da Universidade de Colombo, explica que a anatomia das flamingos facilita colisões com linhas de energia por causa do pescoço alongado e da envergadura ampla. A espécie também realiza voos rasos em áreas abertas, o que aumenta a vulnerabilidade. Em zonas úmidas, a presença de linhas elevadas eleva o perigo durante a luminosidade baixa.

Estudos internacionais mostram que o risco não é exclusivo do Sri Lanka. Na África, a IUCN registra centenas de mortes por colisões com linhas de transmissão entre 1997 e 2019. Na Índia, estudos em Gujarat indicam mortalidade de flamingos relacionada a fios elétricos entre 2002 e 2005. Esses dados destacam um traço global.

A situação de Bundala, o primeiro parque Ramsar do Sri Lanka, serve como exemplo histórico. Irrigações alteraram o sistema de lagoas, reduzindo a salinidade e levando à diminuição de crustáceos indispensáveis à alimentação dos flamingos. A mudança ecológica, mesmo que não aparente, afeta a presença de aves migratórias.

Perspectivas econômicas e conservação

Em Mannar, o turismo associado aos flamingos representa ganho econômico para a região. Funcionários de hotéis relatam aumento de ocupação quando as aves aparecem, além de atrair fotógrafos e observadores de aves, fortalecendo um ecoturismo em desenvolvimento.

Conservacionistas ressaltam que a proteção de habitats sensíveis exige planejamento cuidadoso de infraestrutura energética, para evitar conflitos entre desenvolvimento e biodiversidade. A discussão envolve avaliação de impactos, manejo de áreas de alimentação e estratégias de mitigação para colisões com cabos.

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