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Safra recorde de soja impulsiona embarque do Brasil, apesar de vendas lentas

Safra recorde de soja impulsiona os embarques iniciais do Brasil, mesmo com vendas lentas e estoques de passagem robustos

REUTERS Colheita de soja em Maringá (PR)
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  • Exportações de soja do Brasil podem chegar a cerca de 14 milhões de toneladas no primeiro bimestre de 2026, mesmo com comercialização lenta.
  • Vendas de produtores ficam entre 34% e 38% da safra, abaixo da média histórica, por oferta elevada, câmbio e custos de frete.
  • Índice de vendas de 33,9% indica atraso de mais de dez pontos percentuais frente à média histórica para a época.
  • Estoques de passagem para 2025/2026 são maiores (6 milhões de toneladas) do que os de 2024/2025 (4 milhões), ajudando os embarques.
  • O câmbio preocupa produtores, com dólar fraco frente ao real pressionando preços; projeção de exportações brasileiras em 2026 chega a 112 milhões de toneladas.

As exportações de soja do Brasil devem alcançar cerca de 14 milhões de toneladas no primeiro bimestre, ainda que a comercialização apresente lentidão. A safra 2025/26 está em desenvolvimento na maioria dos estados, compensando a demanda fraca.

Especialistas apontam que o ritmo das vendas privadas aos armazéns fica entre 34% e 38% da safra, abaixo da média histórica para o período. Fatores como a oferta elevada, câmbio, custos de frete e incentivos a estoques influenciam o movimento.

Dados preliminares da Safras & Mercado indicam índice de vendas de 33,9%, com avanço de 3,6 pontos percentuais frente ao mês anterior. O atraso em relação à média histórica supera 10 pontos percentuais.

Comercialização lenta

Para a Hedgepoint Global Markets, as vendas ficam em torno de 35% da safra, com atraso de 5 pontos percentuais frente ao mesmo período do ano anterior. A Céleres aponta 38%, cinco pontos abaixo de sua média histórica.

Apesar do ritmo menor, analistas destacam que a colheita 2025/26 é maior e os estoques de passagem para 2024/25 são robustos, o que sustenta ofertas para embarques. Vêm-se estimativas de produção acima de 180 milhões de toneladas.

O estoque de passagem de 2025 para 2026 foi visto em cerca de 6 milhões de toneladas, ante 4 milhões de toneladas no ciclo 2024/25. Esse cenário favorece o volume de embarques no curto prazo.

Executivos revisam o fluxo de vendas para janeiro e fevereiro, estimando 13,9 milhões de toneladas no acumulado, ante 7,5 milhões no mesmo período de 2025, representando crescimento de cerca de 85%.

Entendimento de demanda e preços

As exportações do Brasil ainda devem enfrentar entraves logísticos com o aumento do volume a ser comercializado. A pressão por frete e descontos aos produtores são citadas como impactos potenciais.

Nesta semana, analistas destacam que os preços médios estão próximos de R$ 100 por saca em locais como o Mato Grosso, cenário abaixo da média de 2024 no mesmo período. A demanda pode se manter estável pela sazonalidade.

Câmbio é apontado como fator-chave neste contexto. O dólar sofre queda frente ao real, o que influencia a formação de preço e a competitividade das exportações brasileiras.

Para 2026, as projeções apontam para um recorde de 112 milhões de toneladas exportadas, segundo a Céleres, frente a cerca de 108 milhões no ciclo anterior. O ajuste depende de demanda externa e logística.

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