- O tema é a suposta “guerra financeira”: governos europeus discutem usar instrumentos de dívida para pressionar os Estados Unidos.
- Em 18 de janeiro, o chefe global de pesquisa de câmbio da Deutsche Bank alertou que a Europa detém títulos dos EUA e poderia reduzir esses ativos como forma de pressão.
- Na mesma semana, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que a Alemanha não respaldava mais aquele relatório, e alguns fundos de pensão europeus reduziram suas posições em Treasuries.
- Disputa aponta para dúvidas sobre a viabilidade e impacto real de políticas de interdependência financeira e governo de regulação para pressões econômicas.
- Como saída, a Europa poderia fortalecer dívida comum e usar lacunas regulatórias para movimentar fluxos, enquanto EUA mantêm o mercado de Treasuries como centro de finanças globais.
Economia de guerra: EUA e Europa trocam controles de capital em meio a crise de Greenland. Na véspera de Davos, europeus procuraram ferramentas para reduzir dependência dos EUA, citando a possibilidade de uso de financiamento como arma. Em 18 de janeiro, o estrategista George Saravelos, da Deutsche Bank, alertou clientes sobre a ligação entre a posse europeia de Treasuries e potenciais medidas contra a dívida norte‑americana.
Na sequência, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a Deutsche Bank não endossava mais o relatório do analista, mas o tema ganhou peso entre investidores. Alguns fundos de pensão europeus reduziram significativamente suas posições em Treasuries, gerando menor agressividade language americana, segundo relatos.
Ainda não está claro qual foi o impacto direto sobre a Casa Branca, mas o debate levantou perguntas sobre a possibilidade de interdependência weaponizada para pressionar economicamente os EUA. Economistas destacam o dilema: alterações regulatórias podem afetar ambos os lados, com efeitos incertos.
O texto observa movimentos de fluxo financeiro e políticas públicas como instrumentos de poder. Houve indicativos de pressão financeira no ano anterior, levando o governo Trump a rever parte de sua estratégia tarifária. Contudo, o efeito pareceu orgânico e de curto prazo, sem coordenação ampla.
Análises históricas apontam que a instrumentação financeira pelos estados não é novidade. No fim do século XIX, França e Alemanha usaram o financiamento para avançar seus interesses, com restrições a ativos russos e barreiras para investimentos estrangeiros após guerras.
O artigo aponta o foco atual nos títulos soberanos: Treasuries nos EUA e uma cesta de dívidas europeias. Enquanto Treasuries representam mercado central do financiamento global, a pressão europeia enfrenta riscos de retaliação e envolve participação privada na maior parte das carteiras.
Como resposta, a Europa pode avançar em dívida comum da UE e ampliar a emissão de Next Generation EU. Em dezembro, líderes europeus concordaram em destinar 90 bilhões de euros para defesa ucraniana, com novas medidas sob discussão. O estabelecimento de um mercado estável de dívida supranacional é visto como possível, mas complexo.
De forma defensiva, a Europa busca reforçar sua posição financeira por meio de maior integração de dívida europeia. A maior coesão em instrumentos comuns poderia facilitar planejamento de defesa e criar um novo eixo para finanças, investimentos e crescimento econômico da região.
O autor reforça que a análise não serve como prescrição, defendendo retorno a regras estáveis. O contexto atual sugere que os mecanismos de coerção através de mercados de dívida podem ressurgir conforme o cenário internacional se rearranja e o dólar enfrenta mudanças na reserva global.
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