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Mercados de títulos viram campo de batalha

Mercados de títulos viram campo de batalha: Europa avalia usar dívida soberana como instrumento de pressão contra os EUA, diante da escalada

Flags of Europe fly in front of the headquarters of the European Central Bank (ECB) in Frankfurt am Main, western Germany, on June 15, 2022.
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  • O tema é a suposta “guerra financeira”: governos europeus discutem usar instrumentos de dívida para pressionar os Estados Unidos.
  • Em 18 de janeiro, o chefe global de pesquisa de câmbio da Deutsche Bank alertou que a Europa detém títulos dos EUA e poderia reduzir esses ativos como forma de pressão.
  • Na mesma semana, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que a Alemanha não respaldava mais aquele relatório, e alguns fundos de pensão europeus reduziram suas posições em Treasuries.
  • Disputa aponta para dúvidas sobre a viabilidade e impacto real de políticas de interdependência financeira e governo de regulação para pressões econômicas.
  • Como saída, a Europa poderia fortalecer dívida comum e usar lacunas regulatórias para movimentar fluxos, enquanto EUA mantêm o mercado de Treasuries como centro de finanças globais.

Economia de guerra: EUA e Europa trocam controles de capital em meio a crise de Greenland. Na véspera de Davos, europeus procuraram ferramentas para reduzir dependência dos EUA, citando a possibilidade de uso de financiamento como arma. Em 18 de janeiro, o estrategista George Saravelos, da Deutsche Bank, alertou clientes sobre a ligação entre a posse europeia de Treasuries e potenciais medidas contra a dívida norte‑americana.

Na sequência, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a Deutsche Bank não endossava mais o relatório do analista, mas o tema ganhou peso entre investidores. Alguns fundos de pensão europeus reduziram significativamente suas posições em Treasuries, gerando menor agressividade language americana, segundo relatos.

Ainda não está claro qual foi o impacto direto sobre a Casa Branca, mas o debate levantou perguntas sobre a possibilidade de interdependência weaponizada para pressionar economicamente os EUA. Economistas destacam o dilema: alterações regulatórias podem afetar ambos os lados, com efeitos incertos.

O texto observa movimentos de fluxo financeiro e políticas públicas como instrumentos de poder. Houve indicativos de pressão financeira no ano anterior, levando o governo Trump a rever parte de sua estratégia tarifária. Contudo, o efeito pareceu orgânico e de curto prazo, sem coordenação ampla.

Análises históricas apontam que a instrumentação financeira pelos estados não é novidade. No fim do século XIX, França e Alemanha usaram o financiamento para avançar seus interesses, com restrições a ativos russos e barreiras para investimentos estrangeiros após guerras.

O artigo aponta o foco atual nos títulos soberanos: Treasuries nos EUA e uma cesta de dívidas europeias. Enquanto Treasuries representam mercado central do financiamento global, a pressão europeia enfrenta riscos de retaliação e envolve participação privada na maior parte das carteiras.

Como resposta, a Europa pode avançar em dívida comum da UE e ampliar a emissão de Next Generation EU. Em dezembro, líderes europeus concordaram em destinar 90 bilhões de euros para defesa ucraniana, com novas medidas sob discussão. O estabelecimento de um mercado estável de dívida supranacional é visto como possível, mas complexo.

De forma defensiva, a Europa busca reforçar sua posição financeira por meio de maior integração de dívida europeia. A maior coesão em instrumentos comuns poderia facilitar planejamento de defesa e criar um novo eixo para finanças, investimentos e crescimento econômico da região.

O autor reforça que a análise não serve como prescrição, defendendo retorno a regras estáveis. O contexto atual sugere que os mecanismos de coerção através de mercados de dívida podem ressurgir conforme o cenário internacional se rearranja e o dólar enfrenta mudanças na reserva global.

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