- Morgan Stanley prevê um cenário desafiador para as moedas da América Latina no segundo semestre, devido à inflação persistente, tensões geopolíticas e incertezas eleitorais.
- O banco mantém uma visão “moderadamente otimista” para algumas moedas, mas alerta que os riscos apontam para enfraquecimento regional.
- No Brasil, há a previsão de que o real possa chegar a R$ 4,50 por dólar antes das eleições, com o dólar a R$ 5,00 em 2026, caso haja consolidação fiscal.
- O Chile pode ver o peso se valorizando com reformas favoráveis e consolidação fiscal, embora a alta de preços do petróleo limite ganhos.
- Em outros mercados, o México é exceção com inflação estável; Colombia e suas eleições apresentam desvalorização gradual do peso, refletindo incerteza política e fiscal.
O Morgan Stanley aponta desafio para as moedas da América Latina no 2º semestre, com inflação persistentemente elevada, preços do petróleo e incerteza eleitoral elevando o risco. A instituição destaca geopolítica tensa e processos eleitorais na região.
Apesar do cenário adverso, o banco mantém uma visão moderadamente otimista para algumas moedas, destacando o real brasileiro e o peso chileno como preferidos entre os emergentes, embora ciente dos riscos fiscais e políticos.
A leitura considera que os contratos a termo já incorporam prêmio de risco, mas aponta que o cenário externo continua influente, com queda de mal-estar global e volatilidade associada a petróleo.
Brasil e Chile entre as moedas preferidas
Para o Brasil, o relatório indica que o real pode incorporar prêmio de risco pré-eleitoral no 3º trimestre de 2026, seguido de recuperação no 4º trimestre. O desempenho depende de pesquisas e trajetória fiscal.
O Morgan Stanley afirma que, em um cenário de consolidação fiscal, o real poderia chegar a R$ 4,50 antes das eleições, superando pares da região. Há espaço para ganhos frente a moedas latino-americanas.
A projeção para o dólar no Brasil aponta para R$ 5,00 em 2026, frente a R$ 4,98 spot e R$ 5,25 a termo. Até 2027, o real poderia alcançar R$ 4,80 por dólar, segundo o banco.
No Chile, o peso chileno poderia reagir a reformas pró-mercado e a uma eventual consolidação fiscal. A valorização seria moderada, refletindo ainda pressão de preços do petróleo sobre a inflação.
A instituição ressalva que incerteza externa, como o T-MEC, pode aumentar a volatilidade do peso mexicano e afetar sedes cambiais da região.
Peru, Colômbia e México
Para a Colômbia, o Morgan Stanley mantém cautela diante da instabilidade política e fiscal, com desvalorização gradual esperada do peso colombiano. Em cenários adversos, o dólar pode superar COP$ 4.000.
A previsão principal aponta dólar a COP$ 3.825 em 2026 e COP$ 3.925 em 2027, sob riscos eleitorais e fiscais. As avaliações atuais são consideradas pouco atrativas frente a histórico.
No México, as expectativas de inflação devem permanecer estáveis, beneficiadas pela menor sensibilidade aos preços do petróleo e por mecanismos de mitigação de inflação. O banco recomenda posições em M Bonos 2028 por carry e roll-down.
Cenário regional e estratégias
O Morgan Stanley afirma que o desempenho dependerá da evolução do petróleo, de decisões de bancos centrais e de sinais eleitorais nos mercados-chave da região. O peso mexicano se destaca como exceção positiva, segundo o relatório.
Na renda fixa, o banco recomenda posições compradas em MBonos México 2028 pela atratividade de carry e roll-down. Em renda brasileira, a sugestão é de estratégia de inclinação da curva diante da incerteza eleitoral.
O relatório indica que as moedas latino-americanas devem continuar sob pressão caso haja piora na inflação ou retorno de tensões geopolíticas, mantendo o cenário de volatilidade acentuada no curto prazo.
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