- A guerra dos EUA contra o Irã pode desviar armas de defesa aérea para a Ucrânia, que depende dos interceptores PAC-3 para proteger energia e infraestrutura.
- A produção de PAC-3 é de cerca de 600 mísseis por ano, insuficiente para EUA, aliados do Golfo e Ucrânia; o aumento para 2 mil por ano só deve ocorrer mais tarde.
- Os aliados do Golfo, influenciados pela demanda de defesa, podem ficar com estoques baixos se o combate se prolongar; a produção europeia não substitui rapidamente os PAC-3.
- A escassez pode piorar se os estoques norte-americanos baixarem com o tempo, e há relatos de atrasos no fornecimento sob o Programa Prioritário para a Ucrânia (PURL).
- Anúncios de novas rodadas de paz entre Ucrânia e Rússia podem ser adiados; Zelenskiy alerta que uma guerra prolongada no Irã pode reduzir as defesas disponíveis para a Ucrânia.
O conflito com o Irã pode reduzir o fluxo de mísseis de defesa aérea dos EUA para a Ucrânia, em um momento em que a Rússia intensifica ataques a cidades ukrainas. A pressão vem de uma corrida logística entre estoques, produção e entregas, segundo analistas ouvidos pela Reuters.
A produção de PAC-3 pela Lockheed Martin é de cerca de 600 unidades por ano, número insuficiente para atender EUA, aliados do Golfo e, sobretudo, a Ucrânia. Fontes da área de defesa indicam que opções de substituição demoram a chegar.
Analistas ressaltam que o Gulf Cooperation Council tem estoques, mas pode ter que priorizar, com a intensidade dos bombardeios iranianos aparentando recuar, ainda que de forma gradual. A depender do curso dos acontecimentos, a demanda por PAC-3 pode se manter elevada.
A possível interrupção ou atraso na remessa de mísseis para a Ucrânia depende de avanços para destruir estoques e lançadores do Irã nos próximos dias, apontam especialistas em segurança de Kyiv. A Ucrânia depende de interoperabilidade com tropas aliadas para defesa de infraestrutura energética.
O quadro estratégico envolve também a Rússia, que já disparou centenas de mísseis contra a infraestrutura energética ucraniana na temporada de inverno. Kiev afirma que a maior parte dos Patriots entregues a seus parceiros é proveniente de países europeus sob a iniciativa PURL da OTAN.
Parceiros europeus sinalizaram envio de dezenas de mísseis PAC-3 desde a última reunião de fevereiro. Contudo, houve preocupação entre diplomatas europeus de que atrasos no replenishment do PURL possam piorar se o esforço de guerra no Irã se prolongar.
Especialistas destacam que, mesmo com a ampliação da produção de PAC-3 para até 2.000 unidades anuais, o timing é crítico e pode não resolver as carências deste ano. O Pentágono não comentou sobre o assunto.
Possibilidade de novo cenário diplomático
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy disse que uma guerra prolongada no Irã poderia reduzir os sistemas de defesa disponíveis à Ucrânia e que a Rússia planeja nova ofensiva em infraestrutura, logística e água. O tema entra no cenário das próximas negociações de paz, que sofrem adiamento devido aos ataques iranianos.
As negociações mediadas pelos EUA para retomar o diálogo entre Ucrânia e Rússia, anteriormente previstas para ocorrer em Abu Dhabi, não devem acontecer nos dias combinados, enquanto o Irã reage aos ataques contra aliados. Não há confirmação de nova sede para eventuais encontros.
Analistas lembram ainda que, para manter eficácia, a Ucrânia precisa não apenas de defesa, mas também de capacidade ofensiva para reduzir a produção de mísseis russos. Em paralelo, autoridades norte-americanas ressaltam a necessidade de equilibrar entregas com estoques próprios.
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