- GTF concluiu segunda emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) no valor de R$ 375 milhões, em meio a crédito mais restritivo e juros elevados.
- Demanda ficou próxima de R$ 400 milhões, acima do volume ofertado, levando a empresa a limitar o tamanho da emissão.
- Objetivo da captação é alongar o passivo, fortalecer o capital e criar espaço financeiro para um ciclo de investimentos intensivo em CAPEX.
- Parte dos recursos será destinada ao desenvolvimento de produtos IQF (Individually Quick Frozen) e à automação de plantas para ampliar eficiência e exportação.
- A GTF projeta chegar a mais de oitocentas mil aves abatidas por dia em cinco anos, expandindo plantas, incubatórios, fábricas de ração e infraestrutura logística; hoje exporta para mais de cem países e possui certificações internacionais.
A GTF, empresa paranaense do setor de avicultura, concluiu sua segunda emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) no valor de 375 milhões de reais. A operação ocorreu em um contexto de crédito mais restritivo e juros elevados. O objetivo é estruturar escala industrial e novos produtos.
A operação foi mais de 350% maior que a anterior, consolidando o uso do mercado de capitais como eixo de financiamento. A demanda ficou próxima de 400 milhões, acima do volume ofertado, levando a empresa a limitar o tamanho da emissão.
Captação e visão de mercado
Fundada em 1992, a GTF movimenta mensalmente mais de 38 mil toneladas de frango, peixes e vegetais congelados. Além disso, comercializa 6,5 mil toneladas de fécula de mandioca e emprega mais de 10 mil pessoas.
A empresa opera com 258 caminhões na frota própria e oito filiais de armazenagem. Integra o ranking Forbes Agro 100, que lista as maiores empresas do setor.
Estrutura de crédito e planos de investimento
O salto de captação reflete mudança na leitura de risco pelos investidores. A emissão anterior teve foco exploratório; a segunda se sustenta em resultados recentes, disciplina financeira e planejamento de investimentos.
A estratégia é ampliar o porte das operações e manter o ciclo de emissões com maior participação de investidores estratégicos, buscando condições financeiras mais eficientes. O dinheiro alonga o passivo e fortalece o capital.
Produtos e margens no curto e longo prazos
Parte dos recursos será destinada aos produtos IQF, para ampliar o mix e a presença no mercado interno, com maior diferenciação da marca. Investimentos acompanham a abertura de novos clientes e lançamentos de produtos.
No exterior, o foco está na automação industrial para aumentar eficiência, reduzir dependência de mão de obra e ampliar o portfólio exportável. Isso eleva margens e competitividade internacional.
Desempenho recente e metas
Em 2024, a GTF faturou 4 bilhões de reais e revisou seu planejamento estratégico. A meta é chegar a 5 bilhões até 2026. As marcas Canção respondem por cerca de 90% da receita, enquanto Lorenz representa os 10% restantes.
A expansão da capacidade envolve aumentar a abate de aves para mais de 800 mil por dia nos próximos cinco anos, com investimento em plantas, incubatórios, ração e logística.
Desafios e certificações
Um desafio é o acesso ao crédito para produtores integrados, em meio a juros elevados e Plano Safra mais restrito. A GTF sinaliza que esse gargalo impacta a expansão da produção.
Internamente, o volume de CAPEX é maior, exigindo gestão eficiente para manter a verticalização. A automação é parte-chave da estratégia de produtividade e sustentabilidade.
A empresa já exporta para mais de 100 países e possui certificações como China Approved, EU Approved, Halal, além de selos IFS Global Markets e BRCGS. As unidades operam com habilitações SIF específicas.
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