- Hering, marca com 146 anos, reuniu franqueados e jornalistas em Blumenau para o primeiro grande evento da nova gestão.
- O trio à frente, David Python, Fernando Porto e Gustavo Rudge, pretende reconectar a marca às origens no município e aproximar operação da rede de franqueados.
- Em 2021, a família fundadora deixou o controle após a compra pela Soma, em operação de cerca de R$ 5 bilhões, com as ações da empresa saindo da bolsa.
- Em 2024, a fusão entre Grupo Soma e Arezzo criou a Azzas 2154, mantendo a Hering responsável pelo braço de Basics da companhia.
- Em 2025, Thiago Hering saiu do cargo, encerrando 145 anos de gestão familiar; a estratégia atual prioriza showroom em Blumenau, participação de franqueados nas decisões e produção majoritariamente in-house, com Blumenau como hub produtivo.
David Python, CEO da Hering, abriu as portas da sede para jornalistas e franqueados durante dois dias, marcando o primeiro grande encontro da nova gestão após três meses à frente da empresa centenária. A visita ocorreu em Blumenau, cidade que abriga a marca criada pelos irmãos Bruno e Hermann Hering.
A reunião sinalizou a busca pela reconexão entre a empresa, a rede de franqueados e o núcleo criativo. O grupo enxergou desconexões entre propósito, mix de produtos e relacionamento com franqueados, responsáveis por 613 das 700 lojas do país. A ideia é devolver potência à marca com foco em pessoas, rede e operação.
O show room das coleções, realizado na sede, abriu espaço para participação direta de franqueados, antes afastados de decisões. A mudança inclui antecipação de lançamentos para reduzir falhas de produção e perdas, transformando o processo em fórum de alinhamento entre criação e varejo.
Reconexão
A gestão atual pretende aproximar decisões do dia a dia das lojas e fortalecer a participação dos franqueados, especialmente no sortimento. O objetivo é integrar Conselhos de Franquia e cauda longa da rede, com proximidade entre criação e execução. Blumenau tornou-se o centro dessa transformação.
A nova estratégia também revisa o ciclo de produção: coleções são apresentadas antecipadamente para orientar estoque e evitar gargalos. A empresa busca redirecionar o foco para rentabilidade, ao invés de apenas volume, mantendo o equilíbrio entre base e público médio.
Tecnologia como motor
A direção aposta no canal multimarca e na expansão da rede de franqueados, reconhecendo lacunas na parceria com alguns parceiros. A tecnologia deixa de ser suporte e passa a motorizar diferenciação em custo, qualidade e velocidade, com produção interna em destaque.
O parque fabril de Blumenau é visto como diferencial competitivo ainda pouco explorado. A Hering pretende transformar a cidade em hub produtivo, exportando esse know-how para outras unidades da Azzas 2154, grupo resultante da fusão entre Grupo Soma e Arezzo.
Blumenau como estrela
A mudança geográfica aproximou equipes de produto da fábrica, acelerando decisões e fortalecendo a cultura de produto. A proximidade entre criação e indústria é apresentada como ganho de qualidade e eficiência. A liderança ressalta a importância de preservar a herança sem perder o foco no futuro.
No pedido de visão de longo prazo, a Hering mantém o básico como pilar, com peças como camisetas simples ganhando destaque. A estratégia visa consolidar a perenidade da operação, com a participação de franqueados de longa data como parte central do conhecimento institucional.
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