- Ações da Raízen caíram cerca de 19% até as 13h44, após a divulgação do plano de recuperação extrajudicial envolvendo dívida total de R$ 75,35 bilhões, sendo R$ 65,4 bilhões objeto da recuperação.
- O plano prevê aporte de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell a R$ 0,25 por ação, além de possível ingresso de R$ 500 milhões por veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, com emissão de ações.
- A reestruturação inclui a cisão em Raízen Energia e Raízen Combustíveis, a ser implementada após o fechamento, sujeita a acordo sobre venda de ativos não estratégicos.
- Credores ficariam com cerca de 83% da empresa ao final, equivalente a 72% das ações ordinárias, com diferentes opções de pagamento e conversão da dívida.
- Do ponto de governança, a administração atual permanece, mas credores teriam supervisão com veto em questões relevantes; o conselho, ao fim, seria formado por sete membros (quatro indicados pelos credores, três pelos acionistas).
Ações da Raízen recuam após divulgação de plano de recuperação extrajudicial. A companhia, joint venture entre Shell e Cosan, viu as ações cair significativamente nesta quinta-feira, após apresentar detalhes do plano aos credores. No pregão, às 13h44, os papéis caíam 19,05%, para 0,34 real, com mínima de 0,33 real. A maior parte dos termos já tinha ganho divulgação na imprensa.
A Raízen informou dívida total de 75,35 bilhões de reais, dos quais 65,4 bilhões compõem a linha sujeita à recuperação extrajudicial. O comunicado, denominado blowout, detalha a reestruturação e as condições de aporte de capital e eventual cisão do grupo.
Detalhes da reestruturação
O plano prevê aporte de 3,5 bilhões de reais pela Shell a 0,25 real por ação no fechamento. Também há uma possível injeção de 500 milhões de reais por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, de Rubens Ometto, junto com emissão de novas ações ordinárias. Ações de Raízen Energia e Raízen Combustíveis devem ser criadas após o fechamento.
A cisão dependerá de acordo sobre venda de ativos não estratégicos, geração de energia e usinas da Raízen Energia. Analistas do UBS BB destacam a taxa de conversão de 0,25 real por ação e a eventual conversão da dívida como pontos centrais, estimando que credores ficariam com cerca de 83% da empresa ao final.
Cenários de pagamento e governança
Na opção de pagamento A, 45% da dívida reestruturada seria convertida em units, com credores recebendo ações ON e PN. Os 55% restantes seriam convertidos em nova dívida, entre Raízen Energia e Raízen Combustíveis. Na alternativa B, a dívida seria trocada por dívida emitida pela Raízen Energia com 80% de desconto, com prazo até 2047.
A opção C prevê pagamento em dinheiro equivalente ao menor entre 75% do valor devido e 9.750 reais, limitado a 150 milhões de reais, equivalente a 200 milhões em créditos. Em governança, a gestão atual permanece, porém credores teriam supervisão com veto limitado a questões relevantes.
Estrutura acionária e direção
Após a conclusão, o conselho de administração ficaria com sete membros: quatro indicados pelos credores apoiadores, incluindo o presidente, e três indicados pelos acionistas investidores. O objetivo é viabilizar a recuperação sem perder a função de operação do grupo no curto prazo.
Entre na conversa da comunidade