Em abril de 1968, a estação Bernardo Sayão, no Núcleo Bandeirante, foi inaugurada com a chegada do primeiro trem de passageiros a Brasília. A locomotiva, que partiu do Rio de Janeiro e levou 40 horas para chegar à capital, trouxe uma comitiva de 100 pessoas, incluindo políticos e jornalistas. O evento foi marcado por grande […]
Em abril de 1968, a estação Bernardo Sayão, no Núcleo Bandeirante, foi inaugurada com a chegada do primeiro trem de passageiros a Brasília. A locomotiva, que partiu do Rio de Janeiro e levou 40 horas para chegar à capital, trouxe uma comitiva de 100 pessoas, incluindo políticos e jornalistas. O evento foi marcado por grande emoção, com a população celebrando a chegada do trem ao som da música “A Banda”, de Chico Buarque. Desde então, a ferrovia se tornou parte da identidade local, embora a operação de trens de passageiros tenha sido encerrada em 1992.
O ex-ferroviário Hélio Claudino, que trabalhou na Rede Ferroviária Federal (RFFSA), recorda com nostalgia sua trajetória nos trilhos. Ele começou sua carreira em 1970 e, após se aposentar em 1996, passou a atuar no metrô. Hélio guarda com carinho seu uniforme e fotos da época, lembrando que a ferrovia proporcionou sustento e amizades. Ele lamenta a desativação do transporte de passageiros, que, segundo ele, atendia bem à comunidade, mas foi considerado deficitário.
Atualmente, as estações, como a Ingá e a Bernardo Sayão, enfrentam abandono e deterioração. A estação Ingá, em Luziânia, é um local de criminalidade, enquanto a Bernardo Sayão abriga famílias que ocupam o espaço. O ex-ferroviário Sebastião Picolo também expressa saudades do tempo em que os trens eram uma opção popular de transporte, destacando que a falta de trens impacta negativamente a mobilidade urbana.
Desde a última viagem do trem Bandeirante, em 1992, diversas promessas de reativação do transporte ferroviário foram feitas, incluindo a proposta de um Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) entre Brasília e Luziânia. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) considera essa ligação prioritária, com estudos previstos para serem entregues em breve. Hélio Claudino acredita que um novo trem beneficiaria os moradores do Entorno, oferecendo uma alternativa mais segura e acessível ao transporte rodoviário, que atualmente enfrenta congestionamentos.
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