O uso excessivo de celulares por crianças e adolescentes gerou um intenso debate entre alunos, pais, educadores e parlamentares em diversas localidades do Brasil. Um levantamento da TV Globo e do g1 revelou que pelo menos 17 estados já haviam implementado restrições ao uso dos aparelhos em salas de aula antes da sanção da lei […]
O uso excessivo de celulares por crianças e adolescentes gerou um intenso debate entre alunos, pais, educadores e parlamentares em diversas localidades do Brasil. Um levantamento da TV Globo e do g1 revelou que pelo menos 17 estados já haviam implementado restrições ao uso dos aparelhos em salas de aula antes da sanção da lei pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 15 de janeiro de 2024. Especialistas alertam sobre a diminuição da concentração e o aumento da violência entre estudantes, enfatizando a necessidade de mediação e treinamento para professores, além de investimentos em conteúdos digitais adequados.
Em uma escola de Ceilândia, no Distrito Federal, crianças de 4 a 12 anos expressam seu gosto pelo celular. João Pedro, de 6 anos, usa o aparelho da avó para buscar novidades sobre brinquedos, enquanto Kristofer, de 11 anos, cria vídeos para o YouTube. No entanto, professores relatam dificuldades em manter o foco nas aulas. A professora de física Maíra Abade e a de língua portuguesa Amanda Barreto destacam que o uso do celular prejudica a aprendizagem, com alunos abandonando a leitura de textos longos e a escrita.
A nova legislação restringe o uso de celulares em escolas, mas permite seu uso pedagógico sob orientação dos docentes. Especialistas definem o uso pedagógico como a aplicação intencional de ferramentas tecnológicas para auxiliar na aprendizagem. Beatriz Cortese, do Cenpec, ressalta a importância do treinamento dos professores para explorar as funcionalidades dos celulares. O MEC deve promover políticas que discutam o uso pedagógico, enquanto cada escola pode buscar suas próprias soluções.
Após quase um ano da restrição, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro reporta resultados positivos, com diminuição de incidentes de bullying e melhorias nas avaliações bimestrais. Pais também notam mudanças no comportamento dos filhos, como o relato de Luiz Felipe Pedro, que observou um interesse renovado do filho Davi por estudos e esportes. Em outra escola do Distrito Federal, a diretora Ana Paula de Souza notou uma redução significativa em conflitos, com menos necessidade de intervenção policial após a proibição do uso de celulares.
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