Com a redução alarmante dos rebanhos de ovelhas em Marrocos, o rei Mohammed VI fez um apelo inédito para que as famílias não comprem ovelhas para sacrifício durante o Eid Al-Adha, que ocorrerá em junho. O ministro de Assuntos Islâmicos, Ahmed Toufiq, anunciou a decisão em uma transmissão na televisão estatal, destacando que os desafios […]
Com a redução alarmante dos rebanhos de ovelhas em Marrocos, o rei Mohammed VI fez um apelo inédito para que as famílias não comprem ovelhas para sacrifício durante o Eid Al-Adha, que ocorrerá em junho. O ministro de Assuntos Islâmicos, Ahmed Toufiq, anunciou a decisão em uma transmissão na televisão estatal, destacando que os desafios econômicos e climáticos tornaram o sacrifício anual inviável para muitos marroquinos. O rei enfatizou que a realização do rito em tais circunstâncias poderia prejudicar significativamente a população, especialmente aqueles com renda limitada.
O Eid Al-Adha, conhecido como a “festa do sacrifício”, celebra a disposição do profeta Ibrahim em sacrificar seu filho em obediência a Deus. Tradicionalmente, os muçulmanos sacrificam ovelhas ou cabras, compartilhando a carne com a família e doando parte aos necessitados. No entanto, uma pesquisa revelou que 55% das famílias marroquinas enfrentam dificuldades para arcar com os custos de compra das ovelhas e dos utensílios necessários para o preparo.
A escassez de pastagens, resultado de uma seca prolongada, elevou os preços das ovelhas, que muitas vezes superam o salário mínimo mensal de 3.000 dirhams marroquinos (aproximadamente $302). Dados oficiais indicam que os rebanhos de gado e ovelhas diminuíram 38% desde o último censo em 2016. O governo marroquino tem buscado alternativas, como a importação de gado de países como Austrália, Espanha e Romênia, além de suspender impostos sobre a importação de carne e gado em seu orçamento de 2025.
Essa é a primeira vez em 29 anos que Marrocos pede aos cidadãos que abstenham-se do sacrifício durante o feriado, refletindo a luta contínua contra os altos preços dos alimentos. O rei Mohammed VI, que também é a autoridade religiosa máxima do país, reiterou a importância de considerar os desafios climáticos e econômicos que impactam a disponibilidade de gado, destacando que a situação atual exige uma abordagem cuidadosa e solidária.
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