A palavra resiliência foi destaque em um evento realizado na Casa Centroamérica, no México, onde foi apresentado um estudo sobre a vida de pessoas exiladas da América Central. Essas pessoas enfrentam desafios significativos ao tentar recomeçar em um país que apresenta dificuldades para a integração no mercado de trabalho, na educação e na regularização migratória. […]
A palavra resiliência foi destaque em um evento realizado na Casa Centroamérica, no México, onde foi apresentado um estudo sobre a vida de pessoas exiladas da América Central. Essas pessoas enfrentam desafios significativos ao tentar recomeçar em um país que apresenta dificuldades para a integração no mercado de trabalho, na educação e na regularização migratória. Um dos relatos coletados no estudo revela que, após um ano de exílio, muitos se veem obrigados a aceitar trabalhos de baixa remuneração, o que agrava a adaptação a uma nova realidade.
O relatório, intitulado Caminos compartidos, foi elaborado a partir de entrevistas e questionários com 219 exilados, dos quais 54% são mulheres e 30% deixaram seus países devido à perseguição política. A pesquisa destaca que a maioria dos participantes é jovem, com 65% entre 26 e 45 anos, e possui um nível educacional elevado, com 30% tendo formação superior. A maioria dos exilados é originária de Guatemala e El Salvador, e muitos residem na Cidade do México.
Os principais motivos de deslocamento incluem estudos (17%), trabalho (16%) e perseguição (15%), com um total de 28% dos entrevistados citando a perseguição política como fator determinante. A coautora do estudo, Sonja Perkič-Krempl, enfatiza que o exílio tem uma “cara feminina”, com um impacto psicológico significativo, gerando uma constante tensão entre a identidade de origem e a nova realidade.
Além dos desafios de adaptação, os exilados enfrentam problemas como a burocracia que dificulta a validação de suas qualificações e a busca por apoio social. A falta de compreensão e empatia por parte da população local contribui para um sentimento de desconexão e solidão, afetando o bem-estar físico e emocional desses indivíduos. Perkič-Krempl ressalta a necessidade de apoio psicológico para ajudar a superar os traumas do exílio, destacando que, apesar do sofrimento, há uma forte resiliência entre os exilados.
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