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A grande guinada do rinoceronte

Do fracasso à triunfo: Emi gera Andalas, primeira rinoceronte-sumatrense nascida em cativeiro em mais de um século, levando à transferência para Sumatra

Andalas, the first Sumatran rhino bred and born in captivity in over a century. Photo courtesy of the Cincinnati Zoo.
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  • Em 1995 restavam apenas três rinocerontes-sumatra nos EUA, levando a Cincinnati Zoo a reunir Emi e Ipuh sob orientação de Ed Maruska.
  • Terri Roth identificou que Emi precisava interagir com um macho para ovular, ajustando o monitoramento reprodutivo com ultrassonografias sem anestesia.
  • Após 42 dias de tentativa controlada, Emi ovulou e houve uma gravidez; as primeiras tentativas terminaram em aborto, mas mostraram que o manejo estava funcionando.
  • Com uso de suplementação de progesterona, a sexta gravidez foi bem-sucedida e Andalas nasceu, tornando-se o primeiro rinoceronte-sumatra nascido em cativeiro em mais de um século.
  • Em 1998 surgiu a ideia de transferir rinocerontes para santuários na Indonésia; Andalas foi para o Sumatran Rhino Sanctuary e Harapan, em 2015, também foi transferido, marcando o encerramento da presença de rinocerontes dos EUA e o foco em conservação em habitats naturais.

In 1995, com a morte de dois rinocerontes de Sumatra no San Diego Zoo, restavam apenas três rinocerontes no EUA: Rapunzel, Emi e Ipuh. O programa de captura e reprodução em cativeiro enfrentava fracassos há anos.

Conservacionistas iniciaram a estratégia em 1984, envolvendo zoológicos dos EUA, Reino Unido, Indonésia e Malásia. Mesmo com 40 exemplares capturados, nenhum nasceu em cativeiro e o repasse aos EUA havia parado.

Emi e Ipuh passaram a ser o foco do estudo na Cincinnati Zoo, após a retirada de Rapunzel. Ed Maruska, diretor do zoo, convenceu as instituições a unirem as fêmeas para tentar a reprodução, a última esperança do programa.

O momento decisivo

Até agosto de 1995, com a perda de dois rinocerontes em San Diego, os três sobreviventes foram reunidos em Cincinnati. Terri Roth, recém-contratada, liderou a equipe dedicada aos estudos reprodutivos sem anestesia.

Roth relata que Emi e Ipuh enfrentaram limitações de fertilidade. Em 1997, após meses de contatos entre os animais, Emi ovulou pela primeira vez durante a interação com Ipuh, revelando que a espécie é ovulator induzida.

Ipuh e Emi permaneceram sob monitoramento intensivo, com ultrassom diário para acompanhar o ciclo. Em mais de 42 dias de tentativas, Emi ficou fértil após interação com o macho, abrindo caminho para a primeira gravidez.

A primeira gravidez e o marco histórico

A equipe detectou a ovulação e iniciaram novas tentativas de inseminação natural. Em um ciclo, Emi concebeu, mas o embrião não permaneceu. Mesmo assim, a observação confirmou fertilização e indícios de ciclo regular.

O progresso continuou com exames e ajustes hormonais. Em 2000, Roth introduziu suplemento de progesterona para Emi, o que estabilizou a gestação e permitiu que Emi engravidasse novamente.

Em 2001, Emi deu à luz Andalas, o primeiro rinoceronte de Sumatra nascido em cativeiro em 112 anos, marcando a virada histórica do programa. A notícia mobilizou a comunidade de zoos e conservação.

Consolidação e deslocamento geográfico

O Cincinnati Zoo tornou-se referência pela experiência em reprodução assistida e por pesquisas na CREW, unidade dedicada. A alta pressão pública acompanhou críticas ao uso de animais para reprodução.

A partir de 2004, Emi teve mais dois filhotes, Suci e Harapan, sem hormônios sintéticos. Em 2009, Emi faleceu por doença de armazenamento de ferro, um quadro difícil de diagnosticar.

Mudanças de rumo e legado mundial

Ipuh foi diagnosticado com câncer e, em 2013, recebeu eutanasia. A filha de Emi, Suci, também faleceu por iron storage disease. Com perdas, o programa migraria para sanatórios de conservação na Indonésia.

Entre 1998 e 2016, rinocerontes passaram a integrar centros de conservação na Indonésia e na Malásia. Em 2015, Harapan, último rinoceronte de Cincinnati, foi transferido para o Sumatran Rhino Sanctuary na Indonésia, encerrando a participação norte-americana no programa.

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