- Pesquisadores das universidades Texas Tech e Carolina do Norte desenvolveram um fio dental que funciona como vacina, permitindo a imunização sem agulhas.
- O estudo, publicado na revista Nature Bioengineering, mostra que a tecnologia entrega proteínas e vírus inativados à gengiva, estimulando a resposta imunológica.
- A pesquisa focou em áreas úmidas do corpo, como boca e nariz, que são comuns para a entrada de vírus.
- Em testes com camundongos, 75% da proteína foi absorvida pela gengiva, resultando em uma resposta imunológica significativa após dois meses.
- Testes em humanos estão em andamento, com 60% dos voluntários mostrando adesão da proteína à gengiva. Mais ensaios clínicos são necessários para confirmar a eficácia.
Pesquisadores das universidades Texas Tech e Carolina do Norte, nos Estados Unidos, desenvolveram um fio dental que atua como vacina, permitindo a imunização sem agulhas. O estudo, publicado na *Nature Bioengineering*, demonstra como essa tecnologia entrega proteínas e vírus inativados à gengiva, estimulando a resposta imunológica contra doenças.
O foco da pesquisa foi criar vacinas aplicáveis em áreas úmidas do corpo, como boca e nariz, que são portas de entrada comuns para vírus. Harvinder Gill, engenheiro em nanomedicina, explicou que a ideia surgiu ao estudar doenças gengivais. Ele percebeu que o sulco gengival tem grande capacidade de absorver moléculas, o que levou à hipótese de que essa área poderia ser utilizada para vacinação.
Nos experimentos, um anel metálico foi usado para manter a mandíbula de camundongos posicionada enquanto o fio dental era aplicado. O fio continha uma proteína modificada que brilhou no escuro, e os testes mostraram que 75% da proteína foi absorvida pela gengiva. Após dois meses de uso contínuo, os camundongos apresentaram uma resposta imunológica significativa, com aumento de anticorpos nos pulmões, nariz, baço e fezes.
Testes com Vírus Inativo
Os pesquisadores avançaram para testar um vírus inativo da gripe incorporado ao fio dental. Cerca de 50 camundongos foram imunizados durante duas semanas e, após expostos ao vírus real, os que receberam a vacina sobreviveram, enquanto os não imunizados morreram. Os sobreviventes apresentaram anticorpos em diversas partes do corpo, indicando que o sistema imunológico estava preparado para enfrentar o vírus.
Atualmente, os cientistas estão realizando testes em humanos. Aproximadamente 27 voluntários saudáveis utilizaram o fio dental com corante alimentar, e 60% dos participantes mostraram aderência da proteína à gengiva. Além disso, outros pesquisadores estão explorando o uso do fio dental no tratamento de doenças gengivais. Mais ensaios clínicos são necessários para confirmar a eficácia da tecnologia. Gill conclui que essa inovação pode transformar a experiência de vacinação, tornando-a mais acessível e menos invasiva.
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