- Um estudo revelou que apenas 12,7% dos brasileiros com hipertensão e diabetes tipo 2 atingem as metas de tratamento.
- A pesquisa, apresentada no Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, analisou dados de quase 400 pacientes em 11 centros médicos.
- Apenas 28,97% dos participantes tinham a pressão arterial controlada e 39,1% alcançavam as metas de hemoglobina glicada.
- O estudo também destacou a subestimação do risco cardiovascular pelos médicos, que classificaram apenas 15,6% dos pacientes como de risco moderado.
- A adesão ao tratamento é desafiadora, com muitos pacientes precisando tomar de quatro a 15 comprimidos por dia, e as “pílulas únicas” ainda não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde.
Apenas 12,7% dos brasileiros com hipertensão e diabetes tipo 2 atingem metas de tratamento
Um estudo recente revelou que apenas 12,7% dos brasileiros diagnosticados com hipertensão e diabetes tipo 2 conseguem alcançar as metas de controle de pressão arterial e glicemia. A pesquisa, parte do estudo global SNAPSHOT, foi apresentada no Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo e analisou dados de quase 400 pacientes em 11 centros médicos do Brasil.
Os resultados indicam que 28,97% dos participantes tinham a pressão arterial sob controle e 39,1% atingiam as metas de hemoglobina glicada. Isso resulta em 23,9% dos pacientes classificados como de risco cardiovascular alto e 76,1% como muito alto, aumentando as chances de complicações graves, como infarto e AVC. O cardiologista Emilton Lima Junior, coordenador do estudo, destacou que a situação é preocupante, mas não surpreendente.
Subestimação do Risco
Um ponto alarmante do estudo é a subestimação do risco cardiovascular pelos médicos. Embora todos os participantes estivessem em tratamento, os profissionais classificaram apenas 15,6% dos pacientes como de risco moderado, enquanto as diretrizes indicam que todos deveriam estar em níveis altos ou muito altos. Lima Junior sugere que essa discrepância pode ser atribuída à complexidade das novas diretrizes e à permissividade dos médicos.
Além disso, 93% dos pacientes apresentavam pelo menos uma outra condição crônica que aumentava o risco cardiovascular, como dislipidemia e histórico de infarto. A maioria dos participantes tinha um índice de massa corporal indicando obesidade, o que agrava ainda mais a situação.
Desafios no Tratamento
A adesão ao tratamento é um desafio significativo. Muitos pacientes precisam tomar de quatro a 15 comprimidos por dia, o que pode dificultar o seguimento das prescrições médicas. A complexidade do tratamento para hipertensão e diabetes tipo 2 frequentemente exige o uso de múltiplas classes de medicamentos, mas as chamadas “pílulas únicas” que combinam várias drogas ainda não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde.
Os especialistas ressaltam que, além da medicação, mudanças no estilo de vida, como dieta e atividade física, são essenciais para o sucesso do tratamento. O cardiologista Lima Junior afirma que o controle adequado da pressão arterial pode aumentar a expectativa de vida em até 10%, destacando a importância de um tratamento eficaz e contínuo.
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