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Aumentar impostos sobre tabaco, álcool e açúcar pode salvar ajuda ao desenvolvimento na África

Relatório aponta que aumento de impostos sobre tabaco, álcool e bebidas açucaradas pode salvar milhões e fortalecer sistemas de saúde na África.

Um quiosco na porta de um instituto em Lagos, Nigéria, que vende cigarrillos, doces e golosinas. (Foto: ATCA)
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  • Um novo relatório da ONG Vital Strategies e da Universidade da Cidade do Cabo destaca a necessidade de aumentar os impostos sobre tabaco, álcool e bebidas açucaradas na África.
  • A média atual de impostos sobre tabaco no continente é de apenas 41%, muito abaixo dos 75% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
  • Aumentar esses impostos em 50% poderia salvar 50 milhões de vidas em 50 anos e gerar cerca de R$ 2,1 trilhões em cinco anos.
  • O consumo de tabaco resulta em aproximadamente 200 mil mortes anuais na África, enquanto o álcool causa cerca de 300 mil mortes.
  • Países como Cabo Verde e África do Sul já implementaram modelos de impostos que se ajustam à inflação e mostraram resultados positivos na redução do consumo.

A África enfrenta um desafio crescente em relação à saúde pública, especialmente no combate a doenças não transmissíveis, como obesidade e diabetes. Um novo relatório da ONG Vital Strategies e da Universidade da Cidade do Cabo destaca a necessidade urgente de aumentar os impostos sobre tabaco, álcool e bebidas açucaradas. Atualmente, esses tributos são insuficientes para impactar a saúde pública e as finanças dos sistemas de saúde.

O estudo revela que apenas 41% é a média da taxa impositiva sobre tabaco no continente, muito abaixo dos 75% recomendados pela OMS. A falta de estrutura fiscal eficaz impede que muitos países reduzam o consumo desses produtos. O Dr. Adam Karpati, coautor do relatório, enfatiza que é crucial não apenas aumentar os impostos, mas também revisar sua estrutura para garantir que se ajustem à inflação e se tornem mais eficazes.

Impacto Econômico e Saúde Pública

O relatório aponta que aumentar os impostos em 50% poderia salvar 50 milhões de vidas em 50 anos e gerar cerca de 2,1 trilhões de dólares em cinco anos. Esses recursos poderiam ser investidos em saúde, aumentando o gasto público em serviços de saúde em até 40%. Com a redução da ajuda internacional, especialmente dos EUA e da Europa, esses impostos se tornam uma fonte de receita sustentável e previsível.

A situação é alarmante: cerca de 60 milhões de africanos consomem tabaco, resultando em aproximadamente 200 mil mortes anuais. O consumo de álcool e bebidas açucaradas também é elevado, com 300 mil mortes anuais atribuídas ao álcool e um aumento de 123% no consumo de bebidas açucaradas na Nigéria entre 2008 e 2022.

Desafios e Oportunidades

Apesar dos benefícios potenciais, a implementação de impostos mais altos enfrenta resistência de lobbies poderosos e preocupações sobre o impacto econômico. Karpati observa que os governos precisam comunicar claramente os benefícios desses impostos, ligando-os à melhoria da saúde pública e à transparência na utilização dos recursos arrecadados.

Alguns países já estão avançando. Cabo Verde, por exemplo, implementou um modelo de impostos sobre cigarros que se ajusta anualmente à inflação. Sudáfrica introduziu um imposto sobre bebidas açucaradas, resultando em uma redução nas vendas. Essas iniciativas mostram que, com a abordagem correta, é possível reverter a trajetória de doenças não transmissíveis na África.

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