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Dengue e chikungunya reduzem expectativa de vida em até 22 anos no Brasil

Estudo revela que dengue e chikungunya causam perda significativa de anos de vida, afetando desproporcionalmente negros e indígenas no Brasil.

Dengue e chikungunya: regiões com maior população de pessoas negras e indígenas são as mais afetadas (Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF)
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  • Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fundação Getúlio Vargas (FGV) e London School of Hygiene & Tropical Medicine revela que dengue e chikungunya causam perda significativa de anos de vida no Brasil.
  • Entre 2015 e 2024, foram analisados 13,7 milhões de casos de dengue e 1,1 milhão de chikungunya.
  • As mortes resultaram em perdas de até 22 anos de vida, com média de 16 anos para chikungunya e 14,5 anos para dengue.
  • Populações negras e indígenas enfrentam desigualdades, com risco de morte maior em regiões como o Norte e Nordeste.
  • O estudo destaca a necessidade de priorizar vacinação e melhorar o acesso a serviços de saúde nas áreas mais afetadas.

Um estudo inédito revela que as infecções por dengue e chikungunya têm um impacto muito maior do que se pensava no Brasil, especialmente entre populações vulneráveis. Realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fundação Getúlio Vargas (FGV) e London School of Hygiene & Tropical Medicine, a pesquisa analisou 13,7 milhões de casos de dengue e 1,1 milhão de chikungunya entre 2015 e 2024. Os resultados foram publicados na revista *The Lancet*.

As mortes por essas doenças resultaram em perdas significativas de anos de vida, com pessoas afetadas perdendo até 22 anos em relação à expectativa média. A média de anos de vida perdidos foi de 16 para chikungunya e 14,5 para dengue. O estudo destaca que as populações negras e indígenas enfrentam desigualdades acentuadas, com mortes mais precoces em regiões como o Norte e Nordeste, onde o risco de morte é 52% maior para chikungunya e 62% maior para dengue em comparação a áreas de maioria branca.

Desigualdade Regional e Étnica

Os dados mostram que a idade média das vítimas varia drasticamente. No Nordeste, a média de idade das mortes por dengue foi de 44 anos, enquanto no Sudeste foi de 63 anos. Essas diferenças indicam que o acesso ao tratamento pode não estar sendo igual em todas as regiões. Os grupos mais vulneráveis incluem crianças menores de um ano, idosos a partir dos 70 anos e pessoas com doenças crônicas.

Além disso, o tempo entre o início dos sintomas e o óbito é alarmante. Cerca de 90% das mortes por chikungunya ocorreram até o 49º dia após o início dos sintomas, enquanto na dengue, esse pico foi observado no 35º dia. Apesar de já existirem vacinas licenciadas para ambas as doenças, a cobertura vacinal ainda é limitada e não abrange toda a população vulnerável.

Desafios no Diagnóstico e Tratamento

Os pesquisadores também apontam a dificuldade no diagnóstico como um obstáculo significativo. Os sintomas semelhantes entre dengue e chikungunya muitas vezes levam a registros incorretos, atrasando a identificação de surtos e comprometendo a resposta do sistema de saúde. A falta de antivirais específicos para o tratamento dessas infecções limita as opções disponíveis, tornando o cuidado restrito ao suporte clínico.

Para enfrentar o impacto dessas doenças, os autores do estudo enfatizam a necessidade de priorizar a vacinação e a prevenção em grupos vulneráveis, além de melhorar a formação dos profissionais de saúde e garantir acesso a serviços nas regiões mais afetadas. Reduzir o impacto da dengue e da chikungunya requer uma abordagem abrangente que vá além do combate ao mosquito.

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