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Tartaruga-gigante da Amazônia revela segredos sobre sua vida e habitat

Pesquisadores revelam fóssil de tartaruga-gigante de 1,70 metro no Acre, ampliando o conhecimento sobre a fauna do Mioceno na Amazônia.

Cientistas e equipe de apoio em volta da carapaça da Stupendemys geographicus. (Foto: Ufac/USP/Unicamp)
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  • Pesquisadores descobriram um fóssil da tartaruga-gigante Stupendemys geographicus na Boca dos Patos, em Assis Brasil, Acre.
  • A expedição ocorreu entre 1 e 6 de setembro de 2023, liderada pelos paleontólogos Carlos D’Apolito Júnior, da Universidade Federal do Acre (Ufac), e Annie Schmaltz Hsiou, da Universidade de São Paulo (USP).
  • O fóssil, com carapaça de 1,70 metro, é considerado um dos melhores registros da espécie na Amazônia e pode ter chegado a quase 3 metros de comprimento.
  • A região é rica em fósseis, mas a maioria das descobertas é fragmentada, tornando essa uma descoberta significativa.
  • O fóssil será analisado na Ufac e faz parte de um projeto que visa catalogar o patrimônio paleontológico e promover a interação com comunidades locais.

Um fóssil excepcional da tartaruga-gigante Stupendemys geographicus, com carapaça de 1,70 metro, foi descoberto na região de Boca dos Patos, em Assis Brasil, Acre. A expedição, liderada pelos paleontólogos Carlos D’Apolito Júnior (Ufac) e Annie Schmaltz Hsiou (USP), ocorreu entre os dias 1 e 6 de setembro de 2023, revelando novas informações sobre a fauna do Mioceno.

A tartaruga, que viveu entre 10,8 e 8,5 milhões de anos atrás, é considerada a maior de água doce já registrada. A carapaça encontrada estava incompleta, mas os pesquisadores estimam que poderia chegar a quase 3 metros de comprimento. Hsiou destacou que a preservação do fóssil é notável, sendo um dos melhores registros dessa espécie na Amazônia.

A região sul-ocidental da Amazônia é rica em fósseis, com sítios fossilíferos ao longo de rios e barrancos. D’Apolito Júnior explicou que, geralmente, os fósseis encontrados são fragmentados, tornando essa descoberta ainda mais significativa. A comparação com outros grandes répteis da região, como o Purussaurus brasiliensis, ajuda a entender a biodiversidade do passado amazônico.

Desafios da Expedição

A expedição enfrentou desafios logísticos, como a dificuldade de navegação em um rio seco. A equipe, composta por 16 pessoas, levou um dia inteiro para chegar ao local da escavação. O fóssil foi encontrado no primeiro dia, o que foi considerado uma grande sorte, pois as condições poderiam ter levado à perda do material.

Após a escavação, o fóssil foi transportado para a Universidade Federal do Acre, onde passará por análises científicas. O projeto, financiado pela Iniciativa Amazônia+10, visa catalogar e preservar o patrimônio paleontológico da região, além de promover a interação com comunidades locais, como a aldeia indígena Manchineri.

Importância da Colaboração

A colaboração com as comunidades locais é fundamental para o projeto. Hsiou enfatizou que o conhecimento tradicional é essencial para descobrir novos fósseis. A equipe busca aprofundar a educação ambiental e a conscientização sobre a importância da preservação da biodiversidade, tanto atual quanto histórica.

O fóssil da Stupendemys geographicus será integrado à coleção da Ufac, que já possui quase 10 mil fósseis. A expectativa é que novas expedições em rios remotos do Acre e sul do Amazonas tragam mais descobertas significativas, contribuindo para o entendimento da evolução da fauna e flora na Amazônia.

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