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Municípios enfrentam desafios na adaptação às mudanças climáticas, revela índice

Estudo revela que a maioria dos municípios brasileiros tem baixa capacidade adaptativa, com Recife em situação crítica.

Vista aérea de área residencial às margens de rio atingida por inundações, com as águas ocupando o leito das ruas por entre as casas, que se concentram na parte inferior da imagem, enquanto na superior aparecem áreas verdes tomadas pelas águas (Foto: USP Imagens)
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  • Cidades brasileiras enfrentam crescente vulnerabilidade a eventos climáticos extremos, como inundações e secas.
  • O Urban Adaptation Index (UAI) avaliou a capacidade adaptativa dos municípios e revelou que a maioria tem baixa capacidade, com Recife registrando a pior pontuação: 0,46.
  • Apenas 1,4% dos municípios estão no nível superior do índice, enquanto 54,1% estão nas faixas inferiores. Municípios com até 50 mil habitantes pontuaram entre 0,33 e 0,44.
  • A professora Gabriela Di Giulio, coordenadora do estudo, destacou que apenas 36,9% dos municípios possuem planos de habitação e 13% têm planos de redução de riscos, agravando desigualdades sociais.
  • O estudo, publicado na revista Sustainable Cities and Society, integra o projeto CiAdapta 2, que visa fortalecer a capacidade adaptativa das cidades brasileiras.

Os municípios brasileiros enfrentam crescente vulnerabilidade a eventos climáticos extremos, como inundações e secas. Um estudo recente, conduzido por pesquisadores da USP e instituições internacionais, utilizou o Urban Adaptation Index (UAI) para avaliar a capacidade adaptativa das cidades. Os resultados revelaram que a maioria dos municípios apresenta baixa capacidade de adaptação, com Recife registrando a pior pontuação: 0,46.

O UAI analisa políticas públicas e instrumentos essenciais para a adaptação urbana, incluindo habitação, mobilidade e gestão ambiental. A pesquisa mostrou que apenas 1,4% dos municípios estão no nível superior do índice, enquanto mais da metade (54,1%) está nas faixas inferiores. Municípios menores, com até 50 mil habitantes, obtiveram pontuações entre 0,33 e 0,44, indicando uma grave falta de planejamento e infraestrutura.

Desigualdade e Vulnerabilidade

A professora Gabriela Di Giulio, coordenadora do estudo, destacou que a ausência de planos de redução de riscos e de políticas habitacionais adequadas agrava as desigualdades sociais. Apenas 36,9% dos municípios possuem planos de habitação, e apenas 13% têm planos de redução de riscos. Isso resulta em comunidades vulneráveis, que enfrentam os impactos mais severos das mudanças climáticas.

O estudo também analisou as interações entre capacidade adaptativa e justiça climática, revelando que as populações mais afetadas por desastres naturais são frequentemente as mais carentes. Em São Paulo e Brasília, que pontuaram melhor no UAI, as comunidades de baixa renda estão localizadas em áreas de maior risco, evidenciando a necessidade de políticas mais inclusivas.

A Necessidade de Ação

Os pesquisadores alertam que a falta de uma abordagem abrangente nas políticas públicas e o apoio federal limitado resultam em lacunas significativas na governança climática. Gabriela Di Giulio enfatiza que é crucial que os planos de ação climática considerem a justiça social e as especificidades de cada município. O estudo, publicado na revista Sustainable Cities and Society, integra o projeto CiAdapta 2, que visa fortalecer a capacidade adaptativa das cidades brasileiras.

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