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Rodovia ameaça devastar terras indígenas e floresta na Amazônia peruana

Construção da rodovia Bellavista-El Estrecho ameaça nova Área de Conservação e comunidades indígenas na Amazônia peruana

Nova estrada planejada pelo governo cruza áreas protegidas e pode expulsar comunidades indígenas do povo Maijuna, que somam menos de 600 pessoas. (Foto: Jonne Roriz/VEJA)
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  • O governo peruano criou a Área de Conservação Regional Medio Putumayo Algodón (MPARCA), com 283.595 hectares de floresta na Amazônia.
  • A MPARCA foi estabelecida em colaboração com comunidades indígenas e organizações não governamentais (ONGs) para proteger a biodiversidade local.
  • A construção da rodovia Bellavista-El Estrecho ameaça a biodiversidade e as comunidades indígenas, incluindo o povo Maijuna, que possui menos de 600 indivíduos.
  • A rodovia atravessará áreas protegidas, comprometendo a segurança alimentar e os meios de subsistência locais, além de facilitar o acesso a madeireiros e mineradores.
  • A construção ignora leis de consulta prévia, resultando em invasões de terras tituladas e desconsideração das normas de conservação.

O governo peruano anunciou a criação da Área de Conservação Regional Medio Putumayo Algodón (MPARCA), com 283.595 hectares de floresta na Amazônia, em colaboração com comunidades indígenas e ONGs. A nova área, situada no corredor Napo-Putumayo, visa proteger a biodiversidade local e promover a resiliência climática.

Entretanto, a construção da rodovia Bellavista-El Estrecho representa uma ameaça significativa à biodiversidade e às comunidades indígenas da região. A rodovia, que se estenderá por quatro fases, atravessará áreas protegidas como a MKRCA e a AARCA, comprometendo a segurança alimentar e os meios de subsistência de grupos indígenas, como o povo Maijuna, que conta com menos de 600 indivíduos.

A MPARCA se junta a um crescente mosaico de áreas protegidas na região, que já abriga espécies ameaçadas, como a ariranha e a onça-pintada. Apesar dos avanços na conservação, a construção da rodovia ignora as leis de consulta prévia, que exigem a participação das comunidades afetadas. Até o momento, apenas uma comunidade foi consultada, enquanto invasões de terras tituladas já ocorrem.

A fragmentação do projeto rodoviário permite ao governo minimizar os impactos, ignorando a destruição potencial das terras ancestrais e a biodiversidade. A construção da rodovia pode facilitar o acesso a madeireiros e mineradores, resultando em danos irreversíveis à floresta e às culturas locais. As leis que sustentam as áreas de conservação estão sendo desconsideradas, colocando em risco a diversidade biocultural da Amazônia peruana.

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