- O livro “Captured Futures”, de Maarten A. Hajer e Jeroen Oomen, critica a política ambiental atual.
- Os autores afirmam que essa política está presa em um “regime dramaturgico” que limita a imaginação de alternativas.
- A abordagem tecnocrática falhou em reduzir emissões e preservar a biodiversidade.
- Hajer e Oomen defendem a criação de narrativas mais esperançadoras para engajar a sociedade.
- Eles destacam a necessidade de entender melhor as experiências cotidianas e as tendências sociais que influenciam a política ambiental.
O livro “Captured Futures”, de Maarten A. Hajer e Jeroen Oomen, apresenta uma crítica contundente à política ambiental contemporânea, destacando como ela se encontra aprisionada em um “regime dramaturgico” que limita a imaginação de alternativas. Os autores argumentam que a abordagem tecnocrática, centrada na modernização ecológica, tem falhado em atender às metas de redução de emissões e na preservação da biodiversidade.
A obra, considerada uma das mais relevantes sobre política ambiental na última década, evidencia que a falta de progresso não se deve apenas à falta de vontade política, mas sim à estrutura conceitual que rege as práticas ambientais. O conceito de “futuro aprisionado” ilustra como essa estrutura não apenas reproduz falhas, mas também restringe a capacidade das pessoas de imaginar soluções viáveis.
Os autores observam que a retórica alarmista utilizada por líderes políticos, ao invés de mobilizar a população, tem gerado um sentimento de desespero e alienação. Essa dinâmica contribui para a polarização política, com setores da sociedade, incluindo populistas, vendo a comunidade científica e as universidades como parte de um sistema elitista.
Narrativas Esperançadoras
Hajer e Oomen defendem a necessidade de narrativas mais esperançadoras que inspirem a ação coletiva. Eles analisam como a dependência de combustíveis fósseis está profundamente enraizada na identidade e no estilo de vida das pessoas, o que dificulta a transição para alternativas sustentáveis. Para mudar essa realidade, é essencial criar histórias que promovam esperança e renovação.
Os autores também mencionam três discursos emergentes no debate ambiental: o movimento “beyond growth”, que questiona a necessidade do crescimento econômico; a crítica à colonialidade nas práticas de desenvolvimento; e o eco-conservacionismo, que enfatiza a responsabilidade de proteger o meio ambiente. Contudo, esses debates ainda não ressoam amplamente com o público.
A análise de “Captured Futures” sugere que, para avançar, é necessário um entendimento mais profundo das experiências cotidianas e das tendências sociais que moldam a política ambiental. A obra propõe uma reflexão sobre como as narrativas podem ser transformadas para engajar a sociedade em um futuro mais sustentável e inclusivo.
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