- O Brasil teve um aumento no número de doutorados, passando de 2.854 em 1995 para 20.679 em 2021.
- A taxa de emprego formal entre doutores caiu de 74,8% em 2009 para 67,7% em 2021.
- Em 2024, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançou o programa Conhecimento Brasil, com R$ 600 milhões para repatriar cientistas.
- O programa selecionou 567 projetos, mas apenas 251 são de pesquisadores que residem no Brasil, e as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste receberam apenas 30% dos recursos.
- É necessário criar condições para que doutores permaneçam no Brasil, além de revisar o financiamento público das universidades.
O Brasil registrou um aumento expressivo no número de doutorados, passando de 2.854 em 1995 para 20.679 em 2021. Apesar desse crescimento, a taxa de emprego formal entre doutores caiu de 74,8% em 2009 para 67,7% em 2021, evidenciando um desafio na inserção profissional desses acadêmicos.
Em resposta a essa situação, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançou, em 2024, o programa Conhecimento Brasil, com um investimento de R$ 600 milhões para repatriar cientistas. O programa, que terá duração de até cinco anos, visa oferecer passagens aéreas, materiais e bolsas mensais de R$ 13 mil para doutores e R$ 10 mil para mestres.
Distorções Regionais
A seleção de projetos do programa revelou distorções regionais. Dos 567 projetos escolhidos, apenas 251 são de pesquisadores que já residem no Brasil. O edital previa que 40% dos recursos fossem destinados às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mas essas áreas receberam apenas 30% do total. O Sudeste, com mais infraestrutura científica, ficou com 51% dos recursos.
A falta de brasileiros expatriados na lista de selecionados levanta questionamentos sobre as condições de trabalho no exterior, onde muitos buscam melhores oportunidades. O programa, embora com um objetivo positivo, deve ser monitorado para avaliar sua eficácia e corrigir distorções.
Desafios e Oportunidades
Além da repatriação, é crucial que o Brasil crie condições para que seus doutores permaneçam no país. A sustentabilidade do financiamento público das universidades, que atualmente se mostra insustentável, precisa ser revista. A combinação de parcerias público-privadas e a cobrança de alunos mais abastados pode ser uma solução viável.
O Conhecimento Brasil representa uma tentativa de conter a “fuga de cérebros”, mas a verdadeira solução reside em garantir que os cientistas que se formam no Brasil encontrem oportunidades adequadas para aplicar seu conhecimento e contribuir para o desenvolvimento do país.
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