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90% dos infartos podem ser evitados, mas falta ação efetiva, aponta estudo

Álvaro Avezum revela que 90% dos infartos podem ser prevenidos e destaca a importância da espiritualidade na saúde cardiovascular

Cardiologist Álvaro Avezum, director of the International Research Center at Hospital Alemão Oswaldo Cruz, is one of the most cited Brazilian researchers in international scientific publications. (Foto: Werther Santana/Estadão)
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  • O cardiologista Álvaro Avezum destaca a lacuna entre o conhecimento científico e sua aplicação na prática clínica.
  • Ele afirma que noventa por cento dos infartos podem ser prevenidos e que as doenças cardiovasculares causam cerca de quatrocentos mil óbitos anuais no Brasil.
  • Apenas dez por cento dos hipertensos têm a pressão arterial controlada, e entre vinte e trinta por cento dos pacientes que sofreram infarto ou AVC não utilizam medicação preventiva.
  • Avezum identifica três pilares que dificultam a implementação do conhecimento: conscientização da população, atualização dos profissionais de saúde e priorização de recursos no sistema público.
  • Ele também investiga o impacto da espiritualidade na saúde cardiovascular, com estudos mostrando que fatores como propósito de vida podem reduzir a mortalidade.

O cardiologista Álvaro Avezum, reconhecido por suas contribuições à Medicina Baseada em Evidências no Brasil, alerta para a lacuna entre o conhecimento científico e sua aplicação na prática clínica. Em entrevista ao Estadão, ele destacou que 90% dos infartos podem ser prevenidos, enfatizando a importância de ações concretas para reduzir as mortes por doenças cardiovasculares, que somam cerca de 400 mil óbitos anuais no Brasil.

Avezum, que é diretor do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, apresentou dados alarmantes: apenas 10% dos hipertensos têm a pressão arterial controlada, e entre 20% e 30% dos pacientes que sofreram infarto ou AVC não utilizam medicação para evitar novas complicações. Ele ressalta que, em países de renda média como o Brasil, a taxa de mortes por doenças cardiovasculares é dobrada em comparação a países ricos.

Desafios na Implementação

O cardiologista aponta que a falta de implementação do conhecimento científico é um fenômeno global, mas mais acentuado em países de baixa renda. Ele identifica três pilares que dificultam essa aplicação: a conscientização da população, a atualização dos profissionais de saúde e a priorização de recursos no sistema público. Avezum observa que, mesmo com o conhecimento disponível, a população ainda não reconhece as doenças cardiovasculares como a principal causa de morte.

Além disso, Avezum investiga o impacto da espiritualidade na saúde cardiovascular. Estudos mostram que fatores como propósito de vida e compaixão podem reduzir a mortalidade. Em uma pesquisa recente, um grupo de pacientes hipertensos que recebeu intervenções baseadas em espiritualidade apresentou uma redução significativa na pressão arterial.

A Necessidade de Ação

O cardiologista conclui que, se o conhecimento existente fosse implementado de forma eficaz, seria possível evitar 1 milhão de hospitalizações anuais relacionadas a eventos cardiovasculares no Brasil. Ele defende que a pesquisa deve andar lado a lado com a aplicação prática dos resultados, enfatizando que a implementação é crucial para a melhoria da saúde pública.

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