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Crescimento das mortes por câncer no Brasil desafia sistema de saúde pública

Câncer e doenças cardíacas agora disputam a liderança em mortalidade no Brasil, exigindo atenção urgente nas políticas de saúde pública

Instituto Nacional do Câncer, no Centro do Rio (Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo)
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  • Em 2024, o câncer se tornou uma das principais causas de morte no Brasil, igualando-se às doenças cardíacas em 15% das cidades.
  • Foram registradas 238.477 mortes por câncer e 365.772 por doenças cardíacas, segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde.
  • Entre 1989 e 2020, as mortes por doenças cardiovasculares caíram 53,7%, enquanto as mortes por câncer aumentaram 5,8%, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
  • Em 836 cidades, o câncer causou tantas mortes quanto as doenças cardíacas, e em 606 delas, as doenças oncológicas lideram as estatísticas de óbitos.
  • O aumento na incidência de câncer é atribuído ao envelhecimento da população e à maior atenção à doença, mas muitos pacientes enfrentam longas esperas por tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS).

Doenças cardíacas e câncer: mudança no perfil de mortalidade no Brasil

Em 2024, o câncer se tornou uma das principais causas de morte no Brasil, igualando-se às doenças cardíacas em 15% das cidades brasileiras. Foram registradas 238.477 mortes por câncer e 365.772 por doenças cardíacas no país, segundo dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

Historicamente, as doenças do coração lideravam as estatísticas de mortalidade. No entanto, entre 1989 e 2020, as mortes por males cardiovasculares caíram 53,7%, de 305 para 141 por 100 mil habitantes. Em contrapartida, as mortes por câncer aumentaram 5,8%, passando de 86 para 91 por 100 mil habitantes, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Cidades em mudança

Um levantamento revelou que em 836 cidades, ou 15% dos 5.570 municípios brasileiros, o câncer causou tantas mortes quanto as doenças cardíacas. Em 606 dessas cidades, as doenças oncológicas lideram as estatísticas de óbitos. Carlos Gil, presidente do Instituto Oncoclínicas, afirma que até 2035 essa transição deve se intensificar, especialmente em grandes centros urbanos.

A relação entre nível de renda e perfil de óbitos é evidente. Um índice de doenças cardiovasculares mostra que a mortalidade na região central da África é de 7.500 por 100 mil habitantes, enquanto na Europa não ultrapassa 2.500. Globalmente, a mortalidade por doenças cardíacas caiu de 416,1 para 235,2 por 100 mil habitantes entre 1980 e 2021.

Desafios no tratamento do câncer

O aumento na incidência de câncer é atribuído à maior atenção à doença e ao envelhecimento da população. A Lei 12.732, conhecida como Lei dos 60 dias, estabelece que pacientes oncológicos não devem esperar mais de dois meses para atendimento no SUS. Contudo, muitos enfrentam longas esperas, que podem chegar a 150 dias, comprometendo as chances de cura, segundo Maria Paula Curado, médica do A.C. Camargo Cancer Center.

A mudança no perfil de mortalidade no Brasil é clara. Com o câncer ganhando relevância, é urgente que o governo assegure condições adequadas para tratamento, garantindo que o SUS cumpra a legislação vigente.

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