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Fogo mais antigo feito por humanos, datado em 400 mil anos

Fogo deliberado por neandertais primitivos, há 400 mil anos, em Barnham (Inglaterra), feito com pirita, sílex e argila aquecida repetidamente, pode reescrever a cronologia do fogo

(Rob Davis/Divulgação)
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  • Pesquisadores do Museu Britânico e parceiros identificaram fogo deliberado por neandertais primitivos em Barnham, leste da Inglaterra, há cerca de 400 mil anos.
  • O conjunto encontrado envolve argila aquecida, ferramentas de sílex e fragmentos de pirita de ferro, surgindo no mesmo ponto da escavação.
  • A pirita era friccionada contra o sílex para gerar faíscas e acender material inflamável, indicando o uso de um isqueiro primitivo.
  • A lareira era usada repetidamente, com temperaturas acima de 700 °C e sinais de aquecimento intenso em grande parte dos artefatos.
  • A descoberta, publicada na revista Nature, sugere produção intencional de fogo pelos neandertais primitivos e muda a compreensão sobre o domínio da chama na pré-história.

Durante quatro anos, arqueólogos do Museu Britânico e instituições parceiras investigaram Barnham, no leste da Inglaterra, em busca de vestígios da ocupação humana no Paleolítico Inferior. O objetivo era entender a origem do fogo entre neandertais primitivos.

A pesquisa, publicada na Nature, aponta que esses hominídeos acendiam fogueiras há 400 mil anos, 350 mil anos antes do que se aceitava. Três elementos aparecem juntos: sedimentos aquecidos, sílex lascado e pirita de ferro, que acendia faíscas contra o sílex.

A equipe do Pathways to Ancient Britain iniciou as escavações em 2013, em uma pedreira desativada. Os sedimentos guardam camadas com dados de ocupações humanas ao longo de centenas de milhares de anos, revelando padrões de fogo repetidos.

Evidência de fogo deliberado

Os pesquisadores verificaram que a pirita não ocorre naturalmente em Barnham. Testes geoquímicos em laboratórios da França, Alemanha, Áustria e Reino Unido mostraram aquecimento acima de 700 °C, repetido no mesmo ponto. Isso indica lareiras usadas diversas vezes.

Para Rob Davis, arqueólogo participante, a combinação de pirita, carvão queimado e artefatos aquecidos confirma produção intencional de fogo. A conclusão muda a percepção sobre capacidades cognitivas e sociais dos neandertais primitivos.

Simon Lewis, geólogo da equipe, destacou que a pirita precisava ser levada ao local, sugerindo planejamento e transmissão de técnica entre gerações. A lareira situa-se sobre o antigo leito seco de um lago, indicando uso doméstico do espaço.

Implicações e próximos passos

A presença de fósseis e artefatos queimados aponta para um conhecimento tecnológico estável há centenas de milhares de anos. O fogo, segundo os pesquisadores, permitia ampliar o dia, facilitando a fabricação de tools e a vida social entre grupos.

O estudo também aponta que o fogo deliberado no Paleolítico Inferior é distinto de incêndios naturais. A formação de hematita e padrões de aquecimento apoiam a hipótese de lareira repetida. A pesquisa sugere que a técnica pode ter surgido em várias regiões da Europa.

Os cientistas ressaltam que não foi possível confirmar como o conhecimento se disseminou. Grupos que cruzaram a antiga ponte terrestre entre Europa continental e Grã-Bretanha podem ter levado a técnica, mas ainda é especulativo.

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