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Passageiros expostos a poluição por partículas ultrafinas, aponta estudo

Estudo mostra que partículas ultrafinas no embarque e taxiamento excedem em mais de duas vezes o teto definido pela OMS, com traços detectáveis a quilômetros de aeroportos

While ultrafine particle pollution was very low when aircraft were at cruise altitude in clean air, it was a different matter on the ground. Photograph: Frank Armstrong/Getty Images
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  • Um estudo francês, com participação da Université Paris Cité, mediu partículas ultrafinas a bordo de voos do Paris Charles de Gaulle a destinos europeus, com equipamentos posicionados na frente da cabine e na cozinha.
  • Durante o embarque e taxiamento, as concentrações dessas partículas ficaram mais de duas vezes acima do que a Organização Mundial da Saúde define como alto.
  • Em cruzeiro, as concentrações caem, mas aumentam novamente na aproximação/chegada e próximo a aeroportos, influenciando also áreas ao redor das rotas de voo.
  • Partículas ultrafinas foram detectadas a vários quilômetros de aeroportos, incluindo Heathrow, e também se espalham para comunidades vizinhas; o mesmo ocorreu com o carbono negro (partículas de fuligem).
  • O estudo destaca que, globalmente, o número de passageiros pode superar cinco bilhões neste ano, e aponta maiores poluições em solo comparadas a fases de voo; há poucas pesquisas sobre trabalhadores de aeroportos.

O estudo aponta que partículas ultrafinas respiradas por passageiros de avião ficaram mais de duas vezes acima do que a definição de alto nível pelo WHO durante o embarque e a taxiação. A pesquisa é conduzida por pesquisadores franceses, com participação da Université Paris Cité, que montaram um conjunto de instrumentos a bordo entre Paris CDG e destinos europeus.

Os aparelhos foram posicionados em uma fileira dianteira de assentos vazios ou na copa da aeronave. Partículas ultrafinas aparecem de forma invisível aos olhos e costumam escapar de monitoramento tradicional, o que dificulta sua regulamentação. Dados de 2021 já ligavam ultrafinas a inflamação pulmonar e impactos na pressão arterial.

Durante o cruzeiro, os níveis caíram, mas aumentaram na aproximação e na chegada, com detecção de partículas a vários quilômetros de aeroportos. O estudo também aponta padrões semelhantes para o carbono negro/fuligem, que tiveram picos quando as aeronaves estavam em solo.

Segundo a pesquisa, concentrações próximas a aeroportos chegaram a ser comparáveis às observadas a distância de 1 km de grandes vias de tráfego. Em Paris, as partículas de Charles de Gaulle foram detectadas a mais de 5 km do aeroporto, e em Londres, de Heathrow, a leitura alcançou áreas central e oeste da cidade.

A análise brasileira também ressalta que, globalmente, o tráfego de passageiros deve superar 5 bilhões neste ano, o que aumenta a preocupação com a poluição intra-cabin. O estudo cita lacunas na evidência sobre efeitos para trabalhadores de aeroportos e para comunidades vizinhas às redes aéreas.

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