- Polylepis, árvores das altas montanhas, sobrevivem a temperaturas extremas e secas, capturam névoa e alimentam cursos d’água que chegam à costa.
- Atualmente ocupam cerca de 2% da área histórica no Peru e 10% na Bolívia, desempenhando papel crucial na biodiversidade e no abastecimento hídrico.
- Em Aquia, Peru, um projeto de 2004 a 2009 restaurou 16 hectares de bosques de queñual, protegendo áreas existentes de pastagem e fogo.
- O sucesso envolveu diálogo com a comunidade, acordos de conservação formais e um programa educacional, com manejo de pastagens e reposição de árvores por meio de técnicas como empareilhamento aéreo.
- De 2021, ECOAN atua com a iniciativa Accion Andina; até 2024, já foram restaurados 275 hectares e plantadas mais de 650 mil árvores nativas, incluindo um dia em que 150 mil mudas foram plantadas coletivamente.
O estudo analisa o sucesso de longo prazo de restaurações florestais nos altos Andes, destacando o projeto em Aquia, Peru, que envolveu plantar e defender florestas de Polylepis. A pesquisa, publicada em Mountain Research and Development em 2025, avalia fatores-chave para mudanças duradouras. A obra enfatiza que, mesmo com área restaurada relativamente pequena, os impactos foram amplos na gestão da paisagem de montanha.
Aquia fica na borda sul do Parque Nacional Huascarán e da Reserva da Biosfera Cordillera Blanca, no Peru. O distrito cobre cerca de 50 mil hectares e abriga comunidades Quechua. A iniciativa analisada ocorreu entre 2005 e 2009, liderada pelo Instituto de Montaña, ONG peruana com sede em Lima. O foco foi entender por que alguns projetos sustentam resultados por anos.
Metodologia e lições do Aquia
O estudo aponta que a participação da comunidade foi determinante. Conversas com técnicos, moradores e a análise de relatórios indicaram que o diálogo constante ajudou a moldar soluções. O envolvimento local permitiu o desenho de ações sob medida para o território.
Outra prática central foi o uso de acordos de conservação formais. Contribuições mútuas entre agricultores e a Mountain Institute criaram compromissos com a proteção de florestas e com a restauração de áreas degradadas. Em troca, o projeto investiu em melhorias na produtividade pecuária.
Conexões entre floresta e água
As Polylepis possuem importância ecológica, incluindo proteção de nascentes e suporte a espécies como o gigante piojo-conejo, além de contribuir para a captação de água na bacia. O manejo adequado reduz erosão e os impactos de enchentes, ao mesmo tempo em que sustenta a água para comunidades locais.
A relação entre restauração e água foi destacada pela equipe de pesquisa. O projeto mostrou que moradores passaram a reconhecer a ligação entre árvores plantadas e disponibilidade de água para consumo e uso doméstico, fortalecendo o incentivo à conservação.
Técnicas de restauração usadas
Dez ao redor de 2005-2009, a restauração enfrentou desafios de cultivo a grandes altitudes. Em vez de mudas em viveiros, a comunidade utilizou técnicas de enxertia aérea para a espécie P. weberbaueri, com incisões em galhos e inserção de solo em bolsas para desenvolver raízes. P. incana foi propagada por estacas.
Ao longo do tempo, o projeto também introduziu práticas de manejo. Os agricultores foram treinados para cessar o pastoreio próximo às áreas reflorestadas, não queimar e colaborar com a recuperação, enquanto recebiam incentivos para ampliar a produção pecuária de forma sustentável.
Resultados e continuidade
Em Aquia, até 2024, o programa resultou na restauração de 275 hectares de florestas de Polylepis e no plantio de mais de 650 mil árvores. Em um único dia de 2024, comunidades plantaram 150 mil árvores, parte de um esforço coletivo apoiado pela Accion Andina.
A Accion Andina, iniciativa da ECOAN lançada em 2021, tem como meta restaurar 1 milhão de hectares de florestas nativas andinas até 2045. O programa continua ampliando ações por meio de parcerias com comunidades locais e outras organizações.
Impacto social e perspectivas
Especialistas indicam que as ações de Aquia geraram benefícios acumulados, como aumento da produção de leite por meio de raças melhoradas e criação de produtos como queijo, reforçando a sustentabilidade econômica das famílias. A adoção de planos de conservação com participação comunitária é vista como modelo para futuras iniciativas.
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