- O Brasil perde 37,8% da água tratada por problemas na distribuição, segundo levantamento do Instituto Trata Brasil de 2024; no Amapá a taxa chega a 71,7%.
- A parceria entre Sabesp e a Unesp já resultou em detectores de vazamentos chamados correlacionadores, com versões nacionais mais baratas e uma bancada virtual para testes.
- Um correlacionador bom pode custar cerca de R$ 300 mil, e há pouco interesse de fabricantes nacionais em produzi-lo em grande escala; a Sabesp utiliza terceirizadas com dificuldade de aplicação.
- Pesquisadores trabalham no LOCVAS, um detector de vazamento de superfície que funciona sem contato direto com o encanamento, com patentes em andamento e metas de protótipo até 2026.
- O LOCVAS pretende usar dois a oito microfones na superfície para estimar a localização exata do vazamento, complementando técnicas existentes e reduzindo falsos positivos.
O Brasil perde 37,8% da água tratada na distribuição, segundo levantamento do Instituto Trata Brasil divulgado em 2024. O gasto diário equivale a 7,6 mil piscinas olímpicas. Amapá registra a maior taxa, de 71,7%.
Parte significativa da perda não é apenas causada por canos danificados. Desvios por instalações clandestinas e erro de leitura de hidrômetros também colaboram, mas vazamentos na rede são o principal fator.
A parceria entre a Sabesp e a Unesp, apoiada pela Fapesp, já gerou avanços relevantes: um dispositivo de detecção de canos quebrados e, agora, sensores ainda mais avançados em fase de patente.
Correlacionadores: uma solução já existente
O primeiro projeto resultou na criação de correlacionadores nacionais, com bancada de simulação de vazamentos, útil para comparar equipamentos importados. O objetivo foi baratear a detecção sem abrir mão da precisão.
Segundo especialistas, os correlacionadores ajudam a localizar vazamentos sem contato direto com o cano, a partir de sinais captados em dois pontos da rede. A ferramenta é amplamente utilizada no país, mas tem custo elevado.
A parceria destacou a importância de adaptar a tecnologia ao contexto brasileiro, com equipamentos mais acessíveis e software capaz de extrair mais informação de sinais tênues. A Sabesp aponta que o custo do correlacionador bom pode chegar a cerca de 300 mil reais.
LOCVAS: detector de superfície em desenvolvimento
A partir de 2022, a equipe intensificou o desenvolvimento de um detector não invasivo chamado Localizador de Vazamento de Superfície, ou LOCVAS. A ideia é usar dois a oito sensores na superfície para mapear a vibração do solo e localizar o vazamento.
A expectativa é que o LOCVAS complemente as técnicas existentes, reduzindo falsos positivos ao fazer varreduras adicionais sobre o tubo. O objetivo é manter a detecção direta no tubo e, na sequência, aplicar a varredura de superfície.
Atualmente, pesquisas publicadas confirmam resultados com dois sensores em situações com conhecimento prévio da direção do cano. O protótipo conceitual deve ser apresentado ainda em 2026, com patentes em trâmite no INPI.
Desafios e próximos passos
Os pesquisadores destacam o desafio da produção em escala: não há empresas nacionais dispostas a fabricar os correlacionadores em grande volume, o que dificulta a transformação em produto comercial. O trabalho continua buscando parceiros industriais.
A colaboração entre acadêmicos e a Sabesp é marcada pela escuta das necessidades da concessionária desde o início, o que ajudou a alinhar pesquisas com a prática do serviço. O foco permanece em reduzir perdas sem comprometer a confiabilidade da distribuição.
Entre na conversa da comunidade