- O SWEET study avaliou o efeito de adoçantes de baixa caloria em adultos com sobrepeso ou obesidade ao longo de um ano, em quatro centros europeus.
- Ao final, o grupo com adoçantes perdeu aproximadamente seis vírgula quatro a seis vírgula cinco kg, e o grupo sem adoçantes perdeu menos peso; a diferença entre grupos foi maior com boa adesão, mas nem sempre estatisticamente significativa.
- A microbiota não teve diferença na quantidade total de espécies, mas quarenta e seis táxons apresentaram mudanças distintas; maior adesão aumentou a diferença de peso entre grupos.
- Desfechos secundários mostraram maior redução do IMC, do colesterol total, do LDL e do HDL no grupo S&SEs, mas apenas a circunferência do quadril permaneceu menor ao final; não houve alterações em marcadores de diabetes tipo dois ou doenças cardiovasculares.
- As limitações incluem alta taxa de abandono (mais de trinta por cento) e possíveis vieses; conclusão: adoçantes parecem seguros a longo prazo dentro dos limites da Comissão Europeia e podem ajudar na adesão à dieta, sem promover perda de peso isoladamente.
O SWEET, projeto financiado pela Comissão Europeia, avaliou impactos de adoçantes na saúde pública. O estudo analisa a substituição do açúcar por adoçantes de baixo ou zero valor calórico em dietas saudáveis. O objetivo é entender peso, risco cardiometabólico e microbiota.
O trabalho, publicado em ambiente científico, avaliou adultos com sobrepeso ou obesidade e incluiu crianças. A ideia foi observar efeitos de longo prazo da combinação de adoçantes com uma dieta reduzia em açúcar, por um ano.
A pesquisa foi realizada em quatro centros: Atenas, Copenhague, Maastricht e Pamplona. A amostra inicial envolveu 341 adultos e 38 crianças, com 137 adultos no subgrupo para a microbiota. Ao final, 203 adultos e 22 crianças compõem a análise final.
Resultados principais
Entre adultos, a análise por intenção de tratar mostrou perda de 6,4 a 6,5 kg em 12 meses. O grupo com S&SEs perdeu 1,6 kg a mais que o grupo sem adoçantes. Entre completores, a diferença foi de 1,7 kg, não estatisticamente significativa.
Na análise por protocolo, maior adesão ampliou a diferença de peso a favor dos S&SEs, sobretudo nos níveis mais altos de adesão. A significância estatística ocorreu apenas no patamar superior de adesão.
Na microbiota, houve mudanças na composição, sem alterações na quantidade total de espécies ou na riqueza. Quarenta e seis táxons mostraram tendências distintas entre os grupos.
Desfechos secundários
Os S&SEs reduziram o IMC, colesterol total, LDL e HDL em comparação ao grupo açúcar. Contudo, ao 12º mês, apenas a circunferência do quadril permaneceu menor. Não houve mudanças em marcadores de diabetes tipo 2 ou doenças cardíacas.
Entre crianças, o IMC diminuiu em ambos os grupos sem diferenças significativas. Ao todo, nove eventos adversos graves ocorreram (cinco no grupo açúcar, quatro nos S&SEs), com causas variadas não relacionadas ao estudo.
Limitações e considerações
Os autores destacam alta taxa de abandono, acima de 30%, o que reduz o poder estatístico. A subnotificação de ingestão energética também afeta a interpretação dos resultados. Entre crianças, as ressalvas também valem.
O estudo aponta que o efeito Hawthorne e o possível enviesamento não podem ser descartados. Medições em dias específicos podem não refletir consumo constante ao longo do tempo. Conflitos de interesse foram declarados por alguns autores.
Conclusões preliminares
A pesquisa sugere que adoçantes em longo prazo, dentro de uma alimentação equilibrada, parecem seguros sob limites oficiais e não prejudicam a microbiota. Isoladamente, adoçantes não geram perda de peso; promovem adesão a dietas com menos açúcar.
Pode-se usar adoçantes para reduzir calorias sem eliminar o doce, mas produtos adoçados não são automaticamente saudáveis. A combinação de dieta saudável e uso moderado de adoçantes é o caminho recomendado pela literatura consultada.
Autoria do texto: Mauro Poença é nutricionista.
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