- Estudo do MIT sugere que formas iniciais de vida podem ter usado oxigênio centenas de milhões de anos antes do evento de oxidação grande (GOE).
- A enzima central da respiração aeróbica, que atua na redução do oxigênio a água, teria evoluído no período Mesoarqueano, entre 3,2 e 2,8 bilhões de anos atrás.
- Cianobactérias produziam oxigênio por fotossíntese há cerca de 2,9 bilhões de anos, antes do GOE, levantando a questão de onde o oxigênio foi; o estudo propõe que microrganismos próximos poderiam ter removido parte do oxigênio.
- Organismos que utilizavam oxigênio teriam absorvido o oxigênio produzido, possivelmente atrasando sua acumulação na atmosfera por centenas de milhões de anos.
- Os resultados ajudam a explicar a história da oxigenação da Terra e o papel da vida precoce no uso do oxigênio, complementando a linha de pesquisas sobre o GOE.
O MIT revelou que formas de vida primárias podem ter utilizado oxigênio muito antes do GOE, o evento que tornou o oxigênio estável na atmosfera. A nova pesquisa sugere que a respiração aeróbica teve início há centenas de milhões de anos antes do que se pensava.
Os pesquisadores acompanharam a evolução de uma enzima central que permite o uso de oxigênio por organismos aeróbicos. Eles identificaram que essa enzima surgiu durante o Mesoarcaico, período que antecede o GOE em centenas de milhões de anos.
O estudo, publicado hoje na revista Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, foi conduzido por Fatima Husain, Gregory Fournier e colegas. A equipe utilizou sequências genéticas de milhares de espécies para traçar a história evolutiva da enzima.
Contexto e método
Cyanobactérias foram os primeiros produtores de oxigênio, surgindo por volta de 2,9 bilhões de anos atrás. O GOE, quando o oxigênio se tornou persistente, ocorreu cerca de 2,33 bilhões de anos atrás.
Segundo os autores, a presença de oxigênio próximo a essas bactérias pode ter sido suficiente para que outras formas de vida o utilizassem, retardando sua acumulação na atmosfera por milhões de anos.
Os pesquisadores destacam que a enzima estudada atua na redução do oxigênio a água, processo essencial para a respiração aeróbica. A análise envolveu a extração de sequências gênicas e a construção de uma árvore evolutiva, para estimar quando a enzima apareceu.
Significado e implicações
Os resultados sugerem que a vida pode ter explorado o oxigênio bem antes da fixação atmosférica dele. A descoberta pode explicar parte do atraso entre a produção inicial de oxigênio e sua acumulação estável na atmosfera terrestre.
A equipe ressalta que o trabalho complementa a cronologia já investigada sobre o GOE e a origem de bactérias fotossintetizantes, contribuindo para entender a diversificação da vida em um planeta cada vez mais oxidado.
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