- Pesquisadores da Universidade de Sydney desenvolveram anticorpos que miram o açúcar ácido pseudaminico na superfície de bactérias multirresistentes, eliminando infecções fatais em camundongos.
- O açúcar é produzido apenas por bactérias, oferecendo alvo específico para imunoterapias que não prejudicam células humanas.
- Os anticorpos criados são pan-específicos, reconhecendo o mesmo açúcar em várias espécies e cepas bacterianas diferentes.
- O estudo, publicado na Nature Chemical Biology, aponta imunoterapia passiva como caminho para tratar ou prevenir infecções em ambientes hospitalares.
- Nos próximos cinco anos, a equipe pretende levar os tratamentos para uso clínico, com foco na Acinetobacter baumannii multirresistente, integrando o Centro de Excelência do Conselho de Pesquisa Australiano para Engenharia Avançada de Peptídeos e Proteínas.
Pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austrália, desenvolveram uma estratégia para enfrentar bactérias resistentes a antibióticos. O trabalho foi publicado na Nature Chemical Biology e descreve anticorpos de laboratório que atacam uma molécula da superfície bacteriana.
A molécula-alvo é o ácido pseudaminico, presente apenas em bactérias. Os anticorpos se prendem a ela e acionam o sistema imune para destruir o patógeno invasor. A abordagem é específica, visando reduzir danos a células saudáveis.
Em camundongos, a estratégia eliminou infecções causadas por Acinetobacter baumannii multirresistente, agente típico de pneumonia hospitalar e sepsis. A descoberta sugere imunoterapias passivas para infecções adquiridas em hospitais.
Resultados promissores em modelos animais
A equipe liderada pelo professor Richard Payne sintetizou o açúcar bacteriano e decorou peptídeos com ele, mapeando sua estrutura tridimensional. Com isso, criaram um anticorpo pan-específico capaz de reconhecer o açúcar em várias espécies.
Em estudos de infecção em camundongos, o anticorpo representative eliminou a Acinetobacter baumannii multirresistente, destacando-se como ferramenta de prova de conceito. Pesquisadores ressaltam potencial para terapias futuras.
Olhos no futuro e próximos passos
A imunoterapia passiva visa fornecer anticorpos prontos para uso, acelerando resposta a infecções e prevenções em pacientes vulneráveis. A equipe planeja, nos próximos cinco anos, avançar para aplicações clínicas com foco na Acinetobacter.
O projeto também impulsiona o Centro de Excelência em Engenharia Avançada de Peptídeos e Proteínas, criado pelo Conselho de Pesquisa Australiano. O objetivo é transformar descobertas em soluções aplicáveis na saúde e na biotecnologia.
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