- Um chimpanzé-pigmeu chamado Kanzi participou de três experimentos que testaram a imaginação, simulando bebidas e frutas sem objetos reais.
- Nos testes, ele acompanhou líquidos imaginários e itens não presentes, sugerindo que macacos podem conceber coisas que não existem.
- Em uma etapa, Kanzi apontou para o copo com o líquido imaginário mesmo com a troca de posições, indicando compreensão da simulação.
- Em segundo experimento, ele escolheu principalmente o copo com suco real, distinguindo o que é real do que é imaginário.
- Os resultados são considerados promissores, mas com cautela: o estudo teve apenas um participante e envolve uma tarefa apresentada por humanos, exigindo mais pesquisas com outros primatas.
Kanzi, chimpanzé-pigmeu, participou de três experimentos que simularam brincadeiras de faz-de-conta, com objetos imaginários como chá, suco e frutas. Os testes, conduzidos por uma equipe internacional, avaliaram se o animal acompanhava ações simbólicas sem objetos reais presentes.
Os pesquisadores buscaram separar imaginação de simples condicionamento. Kanzi vive no centro Ape Initiative, nos EUA, e já era conhecido por compreender palavras em inglês e usar lexigramas para comunicação. Com a nova metodologia, a combinação de ações simuladas e perguntas revelou a presença de representação mental.
Os experimentos foram realizados sob condições controladas, com dois copos transparentes e uma jarra vazia, além de situações com uvas. A cada rodada, Kanzi era questionado sobre a localização do item inexistente, após a encenação de despejo ou deslocamento simbólico.
Resultados indicaram que Kanzi indicou corretamente o copo ou o pote contendo o item imaginário em várias ocasiões, mesmo quando a disposição dos recipientes era alterada. Em testes com suco real, o bonobo escolhia o copo com líquido de verdade na maioria das vezes.
A terceira rodada repetiu o formato com uvas, mantendo a consistência dos achados acima do acaso. Em nenhum teste ele recebia recompensa pela resposta, reduzindo a chance de simples aprendizado por reforço.
A equipe de pesquisa, liderada por Christopher Krupenye, da Universidade Johns Hopkins, e pela brasileira Amália Bastos, enfatizou que os resultados são estimulantes, mas devem ser interpretados com cautela. A imaginação pode não ser exclusiva dos humanos, ainda que os dados sejam limitados a um único sujeito.
Especialistas externos destacaram o estudo como um avanço importante, embora com limitações. A pesquisadora Zanna Clay ressaltou a necessidade de replicação com outros indivíduos, enquanto o primatologista Richard Wrangham afirmou que a observação de faz-de-conta em primatas menos aculturados é fundamental para ampliar o entendimento.
Os autores reconhecem que o estudo é apenas o começo. Planos futuros incluem testar outras espécies e explorar dimensões da imaginação, como pensar sobre o futuro ou entender o que passa pela mente de outros. A pesquisa pode redefinir conceitos sobre vida mental animal.
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