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Especialistas alertam após ChatGPT Health falha em reconhecer emergências médicas

Estudo aponta subtriagem do ChatGPT Health em mais da metade dos casos de urgência médica, com falha em identificar ideação suicida

Illustration showing OpenAI and ChatGPT logos
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  • Avaliação independente publicada na Nature Medicine analisou sessenta cenários médicos, desde doenças leves até emergências, com revisão de três médicos em cada caso.
  • Em 51,6% dos casos em que era necessário ir ao hospital imediatamente, o ChatGPT Health recomendou ficar em casa ou marcar consulta de rotina.
  • O estudo apontou falhas em situações de emergência, como uma crise de asma onde o sistema sugeriu esperar em vez de atendimento emergencial.
  • Em simulações, oito em cada dez (84%) de uma paciente descrita como vulnerável receberam orientação para agendar atendimento futuro, enquanto 64,8% de indivíduos considerados seguros foram orientados a buscar atendimento imediato.
  • Especialistas ressaltam que esses resultados podem resultar em danos desnecessários e pedem padrões de segurança mais claros e auditoria independente.

O ChatGPT Health falhou em reconhecer situações de emergência médica em mais da metade dos casos avaliados por um estudo independente, que aponta riscos de danos reais. A pesquisa examinou se o recurso de saúde do ChatGPT indicava a necessidade de atendimento emergencial quando indicado clinicamente.

Os pesquisadores criaram 60 cenários realistas que iam de doenças leves a emergências graves. Três médicos independentes revisaram cada caso para definir o nível de atendimento adequado com base diretrizes clínicas. Em seguida, o impacto do ChatGPT Health foi testado em quase 1.000 respostas simuladas, com variações como gênero do paciente, resultados de testes e comentários de familiares.

Ao comparar as recomendações da plataforma com as avaliações dos médicos, verificou-se desempenho adequado apenas em emergências clássicas, como derrames e reações alérgicas graves. Em cenários de asma, por exemplo, o sistema sugeriu aguardar tratamento médico em vez de indicar atendimento de emergência, mesmo com sinais precoces de falência respiratória.

Em 51,6% dos casos em que havia necessidade imediata de hospitalização, o ChatGPT Health recomendou ficar em casa ou marcar consulta de rotina, segundo a pesquisadora Alex Ruani, da University College London. Ela descreveu o resultado como “incrivelmente perigoso”.

A pesquisadora destacou ainda que, em uma simulação, oito em 10 casos de uma paciente hipotética levaram a encaminhamentos para consultas futuras que não ocorreriam a tempo. Em contrapartida, 64,8% dos pacientes sem risco real foram orientados a buscar atendimento imediato, acrescentou Ruani.

A análise também revelou que, quando a simulação incluía uma menção de um amigo sugerindo que o quadro era inofensivo, o sistema reduzia significativamente a urgência dos sinais. Ruani apontou a necessidade de padrões de segurança claros e auditoria independente para reduzir danos evitáveis.

A OpenAI afirmou que a avaliação independente é benéfica para entender o desempenho de IA em saúde, mas ressaltou que os resultados não refletem o uso típico do ChatGPT Health. A empresa informou que o modelo recebe atualizações contínuas.

Os autores enfatizaram que, mesmo com cenários simulados, o risco plausível de dano justifica medidas de proteção mais rígidas e supervisão independente. O estudo foi liderado pelo Dr. Ashwin Ramaswamy, do Icahn School of Medicine at Mount Sinai, nos Estados Unidos.

Especialistas complementaram a análise, destacando que uso doméstico pode aumentar chamadas desnecessárias a serviços de urgência e, ao mesmo tempo, falhas em indicar atendimentos urgentes quando necessários, o que pode aumentar riscos à vida. Também mencionaram questões legais em litígios envolvendo tecnologia e saúde.

O estudo traz ainda ressalvas: a natureza simulada das cenários pode não refletir completamente o comportamento do sistema em situações reais. Em resposta, a OpenAI reiterou que o ChatGPT Health está em constante aperfeiçoamento e que novas salvaguardas estão em desenvolvimento.

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