- Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology mostraram que conhecimento tácito pode emergir a partir de padrões de olhar e de atenção cerebral durante a classificação de imagens.
- Em mais de cento e vinte cartões com formas, cores e padrões, trinta voluntários classificaram imagens em dois grupos, enquanto recebiam monitoramento ocular e EEG.
- Ao longo do experimento, o foco dos participantes migrou para a parte da imagem que tornava a tarefa mais fácil, mesmo sem que eles soubessem disso.
- Quando perceberam esse conhecimento tácito a partir dos mapas de olhar e de atenção, os voluntários tiveram melhoria significativa na precisão de classificação.
- A pesquisa sugere que tornar esse conhecimento oculto explícito pode ampliar o aprendizado em áreas que exigem observação apurada, como artes manuais, esportes e diagnóstico por imagem; o estudo foi parcialmente financiado pela Takeda.
O que acontece: pesquisadores do MIT mostraram que certos saberes tacitos podem ser acessados e ensinados, pelo menos em uma tarefa de aprendizado visual. O estudo classifica imagens com base em padrões de forma, cor e traços, enquanto acompanha olhar e atividade cerebral.
Quem está envolvido: a equipe inclui Alex Armengol-Urpi, Andrés F. Salazar-Gomez, Pawan Sinha e Sanjay Sarma, integrantes do MIT. O trabalho foi publicado no Journal of Neural Engineering.
Quando e onde: o estudo foi conduzido no MIT e divulgado hoje pela revista citada, com dados coletados de 30 voluntários que observaram mais de 120 imagens em sessões controladas.
Por quê: o objetivo é entender se o conhecimento tácito, adquirido com prática, pode ser revelado por sinais indiretos, como padrões de olhar e EEG, e se esse conhecimento pode elevar o desempenho em tarefas de percepção.
Como aconteceu: os voluntários viram imagens contendo duas formas diferentes e deveriam classificá-las em dois grupos. Em fases iniciais, atuavam como novatos; com o tempo, passaram a ter desempenho de especialistas.
Resultados-chave: as medições mostraram que, ao evoluir, o foco visual dos participantes se concentrou na parte da imagem mais relevante para a classificação, ainda que não soubessem explicar esse ajuste. A coincidência entre sinais visuais e epilepsia cerebral indicou a presença de conhecimento tácito.
Resultados-chave (continuação): ao tornar explícito esse conhecimento oculto, a precisão na classificação aumentou significativamente, sugerindo que o saber não verbal pode ser externalizado para melhorar o aprendizado.
Implicações: os autores veem potencial para aplicar a descoberta em áreas que exigem observação aguçada, como ofícios manuais, esportes e diagnóstico por imagem médica, inclusive radiologia.
Contexto histórico: a ideia de conhecimento tácito remete a Michael Polyani, que defendia que “sabemos mais do que podemos dizer”. O estudo atual associa esse saber aos sinais de atenção visual durante tarefas de percepção.
Sobre a metodologia: a equipe utilizou câmeras para rastrear o olhar e EEG para registrar a atenção cognitiva. Cada imagem mostrava dois conjuntos de formas, com apenas um lado relevante para a tarefa.
Perspectivas: Armengol-Urpi afirma que tornar esse conhecimento explícito pode facilitar sua transferência e ampliar experiências de aprendizagem. A pesquisa continua em áreas de prática perceptual e esportiva.
Fontes: o estudo é uma colaboração do MIT com pesquisadores do Media Lab e do Brain and Cognitive Sciences, apoiado parcialmente pela Takeda Pharmaceutical Company.
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