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Mudanças climáticas afetam produtividade e qualidade da soja

Estudo brasileiro aponta que calor, seca e CO₂ elevam a produtividade da soja em cinquenta por cento, mas reduzem amido em vinte por cento e proteínas em seis por cento, comprometendo a qualidade nutricional

Lucas Ninno/Getty Images
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  • Pesquisadores da Universidade de São Paulo analisaram como altas temperaturas, seca e CO₂ afetam a produção e a qualidade nutricional da soja, combinando dados de composição com esses três fatores climáticos.
  • Na safra 2025/26, o Brasil produziu 180,13 milhões de toneladas do grão, ampliando a posição de maior produtor mundial.
  • A combinação dos três fatores poderia elevar a produtividade em cerca de cinquenta por cento, mas reduzir a qualidade nutricional, com o amido caindo em aproximadamente 20% e as proteínas em cerca de 6%.
  • Por outro lado, houve aumento de cerca de 175% na concentração de aminoácidos, resultado que surpreendeu os pesquisadores e ainda é objeto de avaliação de seus impactos na nutrição animal e humana.
  • Os resultados foram publicados na revista Food Research International, com modelagem preditiva por inteligência artificial para estimar efeitos conjuntos, método que pode ser aplicado a outras espécies agrícolas.

O Brasil, maior produtor mundial de soja, somou 180,13 milhões de toneladas na safra 2025/26, segundo a Embrapa. Pesquisadores do IB-USP investigam como mudanças climáticas afetam produção e qualidade nutricional do grão, com foco em três fatores: temperatura, seca e CO₂.

O estudo cruza dados da composição dos grãos com cenários climáticos, buscando entender o impacto simultâneo desses estímulos no metabolismo da soja. A hipótese inicial era de que os fatores se compensariam, mas os resultados mostraram outra dinâmica.

Os pesquisadores constataram que, mesmo com maior produtividade prevista, a qualidade nutricional tende a diminuir significativamente. A combinação de calor, seca e elevação de CO₂ reduziu o amido em cerca de 20% e as proteínas em 6%, o que afeta valor energético e conteúdo proteico.

Em contrapartida, houve um aumento de 175% na concentração de aminoácidos, resultado que chamou a atenção da equipe. O efeito exato sobre a nutrição animal e humana ainda é objeto de investigação.

Os resultados foram publicados no periódico Food Research International, sendo o primeiro estudo a estimar, de forma conjunta, os efeitos desses três fatores climáticos na soja. Pesquisas anteriores já indicavam efeitos isolados do CO₂, da temperatura e da seca.

A metodologia combinou experimentos isolados e em pares com câmaras de topo aberto, usadas para controlar ambiente, e modelagem preditiva baseada em IA. A IA projetou cenários envolvendo os três fatores, complementando dados experimentais.

Futuras etapas

A próxima fase do estudo é identificar quais genes da soja participam das alterações metabólicas observadas. A equipe pretende desenvolver modelos agrícolas para cenários de mudanças climáticas e ampliar a aplicação da metodologia a outras culturas.

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