- Estudo publicado na Geology Today analisou filmes de geólogos lançados entre 1919 e 2023, em filmes americano e britânico, com 202 personagens em 141 títulos.
- Conclui que 32% dos geólogos da ficção morrem, sendo as principais causas assassinato, riscos geológicos e ataques alienígenas.
- Terror de ficção: o maior grupo de mortes ocorre entre vilões geólogos, mas há também muitos protagonistas que morrem, ainda que em menor medida.
- No cinema, a maioria dos geólogos é retratada como mocinhos, e o gênero dominado por homens brancos aparece com baixa diversidade de gênero e raça.
- O estudo aponta que, no futuro, as narrativas podem explorar temas como mudanças climáticas, já sinalizadas por exemplos como um hidrogeólogo em um filme de 2019.
Nos filmes, geólogos costumam morrer com frequência, geralmente como mocinhos. Pesquisadores analisaram 104 anos de personagens da profissão no cinema e revelam padrões sobre mortes, funções e retratos.
O estudo, publicado no Geology Today, usa filmes britânicos e americanos entre 1919 e 2023. Foram 202 geólogos em 141 títulos, com 69 mortes registradas. O trabalho aponta que, na ficção, o risco é maior do que na vida real.
Segundo os autores, a primeira aparição ocorre em Two Women (1919). O título com mais geólogos é O Inferno de Dante (1997), com sete personagens. Entre os 202, há 19 farsantes que fingiam ser geólogos.
O perfil da geologia na tela
A maioria dos geólogos retratados aparecem como heróis ou figuras do bem. A pesquisa indica que 85% exercem papéis positivos ou heroicos, mantendo o cinema como aventura e ação. A presença de humor é rara entre eles.
Entre as causas de morte, o homicídio lidera, respondendo por 30 casos. Em seguida aparecem mortes atribuídas a riscos geológicos e a forças extraterrestres, com 12 ocorrências cada. Acidentes aparecem em nove casos.
Diversidade e representatividade
A análise também avalia gênero e raça. Enquanto a geologia real tem cerca de 31% de mulheres, na tela elas correspondem a 11% entre os geólogos. Desde 1986, esse índice sobe para 21,6%. Sobre etnias, apenas seis dos 202 geólogos não são brancos, incluindo cinco homens negros e uma mulher negra.
O estudo aponta que o tema de raça no cinema é um marco do século passado, com a primeira geóloga negra surgindo em O Caminho do Arco-Íris (1968). A ausência de diversidade é destacada pelos autores.
O que muda no retrato da profissão
Além das cenas de ação, os autores observam que o perfil moral influencia o desfecho das tramas. Malvados entre os geólogos morrem com mais frequência; entre os 30 geólogos malignos, 23 acabam mortos. A ciência, porém, permanece retratada como profissão de exploração, descoberta e risco.
A pesquisa também aponta que, no cinema, o geólogo é pouco visto em papéis musicais e tende a estar presente mais em dramas do que em comédias. A partir de estudos de personagens, os autores sugerem que a profissão pode refletir temores históricos, como guerras e desastres naturais.
Perspectivas futuras
Os pesquisadores sugerem que as mudanças climáticas podem influenciar novas narrativas. Em A Cor que Caiu do Espaço (2019), um hidrogeólogo enfrenta uma natureza devastada, sinalizando temas ambientais como próximos motores do cinema de geologia.
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