- A startup de brinquedos sexuais Lora DiCarlo teve seu convite para a CES retirado após a CES questionar a concessão de um Innovation Award ao vibrador Osé, gerando debate sobre sexismo.
- A controvérsia ilustra a tensão de classificar brinquedos eróticos como itens de bem‑estar ou como conteúdo obsceno, impactando financiamento, varejo e publicidade.
- Empresas do setor enfrentam dificuldades com plataformas de pagamento, crowdfunding e empréstimos, além de rejeições por processadores de pagamento citando risco de marca.
- A publicidade é o maior obstáculo: Facebook não permite anúncios de produtos adultos e Google restringe anúncios de conteúdo adulto com regras vagas.
- Embora haja exemplos de presença física (como a rede varejista Walmart com a plusOne), as campanhas online costumam ficar limitadas e as empresas precisam contatar diretamente plataformas e adaptar estratégias para contornar as restrições.
A CES enfrentou mais uma controvérsia envolvendo a indústria de sex toys. A startup Lora DiCarlo viu a sua presença rejeitada após a organização da feira reverter a premiação de inovação para o vibrador Osé, mostrado no evento. A decisão reacendeu debates sobre censura e normalização da sexualidade.
Especialistas afirmam que a polêmica revela tensões entre regulamentação de conteúdo e o debate sobre bem-estar versus obscenidade. Enquanto algumas empresas já atuam como fabricantes de dispositivos de bem-estar, outras enfrentam resistência na publicidade e no acesso a plataformas de pagamento.
Diante da disputa, a indústria observa impactos em captação de recursos, varejo e marketing. Startups de tecnologia sexual relatam dilemas para conseguir patrocínios, financiamento coletivo e parcerias com plataformas de pagamento, além de enfrentar políticas de anúncios restritivas.
A Dame Products, liderada por Alexandra Fine, destaca que barreiras surgem desde o lançamento de produtos. A empresa teve campanhas no Kickstarter recusadas, e precisou migrar para outras plataformas. Comércio institucional também é citado como desafio, com financiamento público questionado.
No âmbito publicitário, plataformas como Facebook proíbem anúncios de produtos adultos, restringindo até conteúdos voltados a educação ou informação. Empresas relatam que anunciantes precisam recorrer a vias indiretas para alcançar o público adulto.
Publicidade paga e políticas de anúncios variam conforme a plataforma. O Google, por sua vez, classifica conteúdos adultos como restritos, permitindo alguns anúncios sob condições específicas. As regras, porém, permanecem ambíguas para muitos anunciantes.
Desafios operacionais e caminhos futuros
A maior parte das companhias busca enquadrar seus produtos como itens de saúde e bem-estar, em vez de objetos considerados obscenos. A linha entre cuidado pessoal e conteúdo sexual permanece sujeita a decisões administrativas.
Diversas empresas relatam estratégias para contornar as limitações, incluindo campanhas com foco educativo e neutro. A aposta é consolidar a visão de que dispositivos de prazer podem integrar o universo do autocuidado.
Para as empresas, o caminho envolve persistência na defesa de acesso a plataformas de publicidade, serviços financeiros e vitrines de varejo. A expectativa é de que normas se tornem mais claras e menos discriminatórias com o tempo.
A indústria enfatiza que produtos como Eva e outros vibradores podem ser entendidos como ferramentas de bem-estar, não apenas como itens de consumo. A discussão continua a decorrer entre reguladores, plataformas e empresas do setor.
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