- O agronegócio brasileiro responde por 21,1% do PIB do país.
- Entre 1975 e 2015, a maior parte do crescimento do valor bruto da produção (VBP) veio da tecnologia, com a produção por hectare aumentando significativamente.
- O setor envolve 5,17 milhões de produtores rurais; cerca de 300 mil concentram quase 79% do VBP, enquanto o restante tem participação menor.
- O Senar trabalha com assistência técnica e gerencial para levar tecnologia a médios e pequenos produtores, com meta de atender 300 mil produtores no futuro.
- A soja lidera o VBP, seguida pela cana-de-açúcar; a pecuária também apresenta alta, mas enfrenta desafios de infraestrutura logística e crédito.
O setor agroindustrial brasileiro responde por 21,1% do PIB, segundo a CNA. O país utiliza terras férteis para atender demanda global por alimentos, com forte investimento em tecnologia desde as décadas passadas.
A produção cresceu consideravelmente: hoje o Brasil alimenta cerca de 1,5 bilhão de pessoas no mundo. A eficiência aumentou, com produção por hectare crescendo mesmo diante de fatores climáticos adversos. O VBP do agronegócio permanece robusto, apesar de oscilações anuais.
Entre 1975 e 2015, grande parte do crescimento do VBP decorreu do uso de tecnologia. A evolução incluiu safras múltiplas, pastagens recuperadas, sistemas agroflorestais, plantio direto, fixação biológica de nitrogênio e manejo de dejetos animais.
Tecnologias e acesso
A difusão de tecnologia ainda é um desafio, segundo o Senar. O órgão aponta que 5,17 milhões de produtores existem no Brasil, dos quais cerca de 300 mil respondem por quase 79% do VBP. Outros 800 mil respondem por 13,5%, restando 7,6% para o restante.
A democratização tecnológica depende de assistência técnica e gestão. O Senar trabalha para ampliar o alcance, com foco em práticas sustentáveis e melhoria da produtividade sem expansão de áreas.
Assistência técnica e metas do setor
O programa do Senar, com metodologia de três anos, já envolve 3 mil técnicos em campo e já atendeu 120 mil produtores. A meta é ampliar para 300 mil produtores atendidos, com mais 3 mil técnicos. O objetivo é levar tecnologia ao produtor por meio de apoio técnico e gestão.
Desempenho setorial e produção
Entre 1977 e 2017, a produção de grãos subiu de 47 milhões para 237 milhões de toneladas. Hoje, a diversidade de produtos ultrapassa 400 itens. O VBP do setor deve fechar o ano em torno de R$ 609,7 bilhões, com leve queda frente a 2018, compensada pela pecuária.
Desafios e grandes players
O café arábica deve recuar devido à bienalidade, enquanto algodão e milho subiram na produção. A soja, com maior VBP, continua impulsionando o setor, apesar de entraves logísticos e de crédito, que limitam expansão.
No setor de cana, o VBP é o quinto maior, estimado em R$ 45 bilhões. A inovação inclui a produção de bioenergia a partir de biomassa, com atuação destacada na redução de emissões de gases de efeito estufa. A RenovaBio é apontada como fator-chave para descarbonização.
Florestas plantadas e exportações
O setor de florestas plantadas representa 6,9% do PIB industrial e 1,3% do PIB total. O segmento figura entre as maiores exportações do Brasil, com espaço para ampliar participação externa. A área de florestas é alvo de planejamento para reduzir emissões, com metas de até 2030.
Pecuária, frangos e suínos
A pecuária teve alta de preços e produção em 2019, com o valor bruto de produção da carne bovina em torno de R$ 105 bilhões. A avaliação aponta potencial de ganho com maior adoção de tecnologia, frente a um histórico de crédito agrícola mais agressivo para a lavoura.
Produções de frango e suínos registraram avanços de 14,2% e 22,9%, respectivamente, impulsionadas pela demanda externa. A peste suína africana na China tem influenciado o mercado, elevando a demanda por proteína animal brasileira.
Perspectivas internacionais
A relação entre Estados Unidos e China afeta o comércio global de carnes e de grãos. O Brasil aparece como fornecedor de soja à China, com a guerra comercial influenciando fluxos de exportação. A confiança de parceiros é vista como fator estratégico para manter participação de mercado.
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