Um relatório da ONG Transparentem revelou condições alarmantes de trabalho em fazendas de algodão em Madhya Pradesh, Índia, onde quase 50% das propriedades utilizam trabalho forçado, incluindo crianças. A pesquisa, realizada entre junho de 2022 e março de 2023, envolveu 90 fazendas e 200 entrevistas com trabalhadores e proprietários. Os trabalhadores recebem cerca de 200 […]
Um relatório da ONG Transparentem revelou condições alarmantes de trabalho em fazendas de algodão em Madhya Pradesh, Índia, onde quase 50% das propriedades utilizam trabalho forçado, incluindo crianças. A pesquisa, realizada entre junho de 2022 e março de 2023, envolveu 90 fazendas e 200 entrevistas com trabalhadores e proprietários. Os trabalhadores recebem cerca de 200 rúpias por dia (aproximadamente $2,30), levando muitos a se endividarem com seus empregadores, que oferecem empréstimos que diminuem diariamente.
A relação entre essas fazendas e grandes fabricantes de algodão, como a Pratibha Syntex, é preocupante, pois muitas dessas empresas se apresentam como fornecedoras sustentáveis. Marcas como Inditex e H&M já interromperam parcerias e se uniram à Fair Labor Association (FLA) para monitorar as práticas nas fazendas da região. Inditex afirmou que colabora com organizações para melhorar as condições de trabalho, destacando uma aliança com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) desde 2017.
A exploração do trabalho forçado no setor têxtil é um problema persistente, com o Departamento de Estado dos EUA alertando sobre a indústria do algodão como um dos principais mercados que promovem a escravidão moderna. A situação é ainda mais crítica na China, onde 84% do algodão é produzido na região de Xinjiang, onde há evidências de trabalho forçado entre minorias étnicas. Apesar de leis que proíbem a importação de produtos dessa região, a rastreabilidade na cadeia de suprimentos continua sendo um desafio.
A falta de transparência na indústria têxtil é exacerbada por intermediários que distorcem a realidade e pelo greenwashing, que prioriza a sustentabilidade ambiental em detrimento das questões humanas. O relatório da Transparentem destaca que muitos fornecedores alegam que seu algodão é “limpo”, mas evidências mostram o uso de pesticidas e a saúde comprometida dos trabalhadores. A Better Cotton, principal certificadora de algodão ético, também foi criticada por sua ligação com práticas prejudiciais em regiões como o Cerrado no Brasil. A necessidade de regulamentação rigorosa é enfatizada como essencial para combater essas práticas na indústria.
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